A Prefeitura do Natal determinou, a partir desta sexta-feira (30), a interdição do acesso de banhistas e visitantes à formação rochosa da Ponta do Morcego, trecho compreendido entre as praias de Areia Preta e Praia do Meio, na Zona Leste da capital. A medida preventiva foi adotada após vistorias técnicas atestarem um avanço severo no processo de erosão marítima, com risco iminente de desmoronamento de rochas.
Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), a sinalização e o isolamento do trecho de risco estão sendo instalados na área afetada. Vale ressaltar que a proibição se restringe estritamente à parede rochosa e às cavidades na base da estrutura. O uso do mar, a faixa de areia para banho de mar e o tráfego em imóveis e estabelecimentos comerciais situados no topo do promontório continuam totalmente liberados e sem riscos estruturais imediatos.
Ação das marés criou cavidades perigosas
O desgaste provocado pelo impacto contínuo das ondas provocou o surgimento de aberturas e verdadeiras cavernas na base da falésia rochosa. De acordo com o geógrafo José Petronilo, a água do mar está infiltrando e fragilizando a composição mineral do local. O especialista alerta que a permanência de pessoas sob essas cavidades para se abrigar do sol representa um perigo real de acidentes graves por soterramento.
A gravidade do cenário foi constatada em uma fiscalização conjunta envolvendo a Semurb, a Defesa Civil Municipal e o Corpo de Bombeiros Militar do RN.
O titular da Semurb, Sérgio Pinheiro, reforça a urgência de respeitar os alertas. "A orientação essencial é que o frequentador evite a proximidade dessa parede de pedras e não adentre nas cavernas formadas pela erosão, prevenindo que o deslocamento de blocos atinja alguém", destacou o secretário.
Imóveis estão estáveis, mas exigem monitoramento
As edificações e vias públicas localizadas na parte superior da Ponta do Morcego também passaram por inspeção detalhada de engenharia civil. O engenheiro Eduardo Nogueira informou que a estabilidade das construções está preservada no momento, afastando perigo iminente no topo.
Contudo, o especialista pontuou que, caso intervenções de contenção e obras definitivas não sejam executadas a longo prazo, o recuo progressivo da base rochosa poderá afetar as estruturas do entorno no futuro.
A administração municipal comunicou que manterá o monitoramento contínuo sobre o avanço das marés no trecho enquanto elabora projetos definitivos para conter a erosão na costa.
