Consumidores que têm automóvel flex não verão o preço do etanol cair tão cedo. Desde o primeiro trimestre deste ano, abastecer o veículo com gasolina passou a ser mais vantajoso do que com o combustível derivado da cana-de-açúcar e não há previsão da cotação do álcool voltar a preços competitivos à da gasolina.
Na última semana, segundo pesquisa de preço da Agência Nacional do Petróleo (ANP) com 350 postos de combustível da cidade de São Paulo, o custo médio do etanol era de R$ 1,908 para o consumidor e da gasolina, R$ 2,642. Ou seja, o custo do combustível de cana é de 72,2% do preço do derivado de petróleo, o que faz o álcool hidratado sair mais caro, já que rende menos.
“Estamos com problema de oferta de cana-de-açúcar no mercado, de matéria prima para produzir tanto o álcool combustível quanto açúcar. Por isso é que os preços estão elevados”, explica a economista Amaryllis Romano, da empresa de consultoria econômica Tendências.
Há quatro semanas, o valor do etanol até chegou a apresentar uma ligeira queda, com preço médio de R$ 1,875, uma diferença de 1,76% com a média da última semana. Mesmo assim, a cotação da gasolina, com média de preço na bomba de R$ 2,626, continuava vantajosa, já que a diferença entre os valores era de 71,4%.
A especialista da Tendências explica não haver previsão para que o etanol volte ser mais competitivo em relação à gasolina. “Estamos entrando no auge da entressafra. Tivemos esse ano um problema climático, que atrapalhou a produção de cana e ainda a falta investimento no setor”, comenta.
Investimentos
A falta de investimentos no segmento ocorre desde 2008 e 2009, quando a crise econômica balançou a economia mundial, segundo a economista da Tendências. Produtores deixaram de investir e isso resultou na falta de combustível em 2011.
“Ainda houve alterações climáticas, como a falta de chuva, no País, que impactaram na produção, e o incentivos do governo para a compra de carros, o que fez a demanda subir. Há tanto a necessidade de melhorar a produtividade quanto de aumentar a área cultivada de cana-de-açúcar para atender o consumo”, acrescenta Amaryllis.
De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), atualmente, 25% da produção do setor é destinada à fabricação de etanol hidratado – utilizado como combustível. O resto se transforma em açúcar, álcool anidro, que é adicionado à gasolina, e em outros derivados da planta.
Consumidor
Proprietários de carro flex já não se lembram do tempo em que deixaram de abastecer o carro com etanol. “Olha, faz meses que só coloco gasolina. Acho que desde o meio do ano que o álcool ficou caro e deixou de valer a pena, não?”, questiona o professor Fabrício da Mata Lucas, de 31 anos.
Ele relembra que no começo da alta do etanol, sempre fazia a conta entre os valores de ambos para saber o que era mais vantajoso. “Mas agora nem faço mais o cálculo, pois sei que o etanol continua não compensando. Se o País é o produtor, deveria ser mais barato, uma alternativa a gasolina”, diz.
O engenheiro civil Angelo Costa, de 35 anos, explica que sempre olha o preço e só de bater o olho já sabe qual combustível vale a pena na hora de encher o tanque de seu veículo.
“Neste posto, com gasolina a R$ 2,47 e álcool a R$ 1,82, sei que a gasolina vale mais a pena, pois rodo muito mais”, conta costa, que em seis meses andou mais 16 mil quilômetro com o carro. “Rodo bastante e o preço faz diferença”, diz.
Fonte: Jornal da Tarde
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