O trio fatal: Álcool, Drogas e Volante

Sextas e sábados, a partir das 18:00 horas, no Brasil ou em qualquer país do mundo, os habitantes das cidades querem fazer coisas diferentes das que fizeram a semana inteira: no lugar da rotina imposta pelos dias do trabalho, todos planejam sair e se divertir sem horários, regulamentos ou limites. De repente, milhões de veículos vão para as ruas, repletos de gente à procura de diversão e prazer: cinemas, salas de concertos, teatros, boliches, bares, restaurantes, boates, discotecas, tudo vale, tudo enche, tudo rola…


Como a vida em si é dureza, na hora da diversão o mundo em si também fica melhor se mudar um pouquinho: há milhares de anos, o homem descobriu ou inventou o álcool e, com ele, a capacidade de fabricar um sem-número de maneiras de fugir à realidade em doses líquidas. Na esmagadora maioria dos países atuais, o ato de ingerir bebidas com teor alcoólico é socialmente consentido: oferecer bebidas para alegrar convidados ou participantes de eventos é tão normal como os próprios eventos: uns e outros são praticamente indissolúveis.
O “drive” para testar as “novidades” que tiram o ser humano do normal é tão grande, no mundo inteiro que, em escala jamais atingida anteriormente, as pessoas começaram a usar substâncias que, comparadas com o álcool, oferecem um efeito muito maior, “turbinando” os sentidos e oferecendo a sensação de se “estar em outro mundo”: as drogas. E tudo seria lindo, maravilhoso, inocente e divertido se todos tivessem deixado os milhões de veículos motorizados em casa.

Estatísticas publicadas no Brasil confirmam que, em mais de 40% dos acidentes onde há a participação de pelo menos um veículo motorizado, alguns dos participantes, inclusive pedestres, estão sob a influência do álcool. Para dirigir dentro da lei, no Brasil, o condutor pode apresentar teor alcoólico máximo de 0,06%, enquanto não há limite estabelecido para os pedestres. Com uma lei como esta em pleno vigor, seria de esperar que as autoridades de trânsito fossem às vias públicas com todos os recursos possíveis para enquadrar condutores que estivessem dirigindo embriagados, pelo menos tentando evitar que terceiros inocentes paguem com a vida ou com incapacidades permanentes quando atingidos por bêbados ao volante.

Já existe, no mundo, um interessante arsenal de atividades e instrumentos que diferenciam as polícias atuantes das demais: presença à saída de festas, bares, restaurantes e clubes noturnos para efetuar testes ANTES que os proprietários embriagados comecem a dirigir, bafômetros para medir o teor alcoólico do sangue a partir do ar expelido pelos pulmões, automóveis que têm bafômetros ao invés de chaves de ignição e só “pegam” se a pessoa que sentar ao volante soprar e estiver abaixo do limite legalmente estabelecido; incentivo à formação de grupos com o chamado “amigo da vez”, nos quais, por turnos, um membro do grupo por veículo não bebe naquela festa para estar sóbrio e levar os demais sãos e salvos para suas casas; proibição de venda de bebidas alcoólicas em estabelecimentos situados a menos de 5 km e ao longo de todas as rodovias municipais, estaduais e federais, etc.

Isso seria possível no Brasil? Não só seria como é: no Estado de São Paulo não se vende bebidas alcoólicas à beira de estradas há muitos anos! Em Porto Alegre, há um movimento do tipo “amigo da vez” que percorre as baladas às sextas e sábados e conversa com todos os que estão bebendo para que, em tempo, arranjem uma carona, ou um amigo sóbrio para dirigir seu veículo. No lado inoperante, para variar, tudo o que depende dos 3 Poderes: bebidas sendo vendidas por falta de leis nas estradas em todo o País menos no Estado de São Paulo, falta de bafômetros por pura irresponsabilidade orçamentária, polícia ausente nos finais de semana por falta de combustível para as viaturas, por falta de vontade dos comandantes ou por instruções para “maneirar porque não podemos perder votos”, falta de rigor com os motoristas bêbados apanhados dirigindo ou após causar acidentes, não recolhimento das CNHs de infratores alcoolizados detidos, juizes determinando suspensão de medidas policiais que “atentem contra o direito de ir e vir do cidadão” e um sem-número de outras baboseiras.

Para não ficar apenas listando as coisas que não funcionam, quero pedir a Você, que está lendo esta inserção no “blog” do Portal do Trânsito, que me mande por e-mail relato de coisas positivas que as autoridades do lugar onde Você vive, neste Brasil, estão fazendo para diminuir os acidentes causados por motoristas intoxicados pelo álcool ou pela drogas. Teremos o prazer de contar para todo mundo as histórias que chegarem. Com uma única condição: o que Você nos contar tem que ser verdadeiro!

 *Carlos Bruns
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