Diferentes tipos de motoristas no trânsito

 O complexo sistema de trânsito brasileiro apresenta um quadro caótico traduzido pelos índices altíssimos de acidentes de trânsito. Entre os fatores que contribuem para a ocorrência de um acidente, o fator humano é preponderante e responsável por mais de 90% dos sinistros em ruas e estradas brasileiras. Quando nos referimos ao fator humano, devemos destacar os erros cometidos por condutores, sejam por ação ou omissão, que tornam o quadro do sistema de trânsito caótico e irracional.
Podemos atribuir inúmeras causas para a ocorrência de sinistros ligados à falha humana na direção de veículo automotor, entretanto, devemos levar em conta o quadro psicológico destes motoristas no ato de dirigir. Muitos dos condutores envolvidos em sinistros de trânsito que geram vítimas, não possuem histórico criminal ou desvios de conduta social que desabonem sua índole social. Pelo contrário, são inúmeros os exemplos de condutores que, como pessoas inseridas em seu meio social, são exemplos a serem seguidos para muitas outras pessoas.
Mas afinal o que ocorre com estes condutores que levam a tomar atitudes danosas no trânsito? Inúmeras vezes o ato de dirigir leva a tomadas de decisões rápidas e apropriadas para o momento em questão. Tomamos como exemplo as tomadas instintivas de decisão, como travar o cinto de segurança, frear bruscamente frente a um problema adiante, acelerar ou mesmo mudar a marcha do veículo.
O ato humano na direção de veículo pode ser traduzido em duas vertentes importantes: o erro e a violação *. O erro humano ocorre quando é tomada uma decisão equivocada, geralmente sem o conhecimento do fato. Como exemplo, destacamos a pessoa que, inadvertidamente, entra em uma rua em contramão ou não percebe as placas de velocidade, acabando por dirigir acima do permitido em uma via. A violação ocorre quando o condutor, mesmo conhecendo as limitações legais de seu ato, comete determinada ação danosa, tomando para si, o risco de um sinistro. Como exemplo, um condutor que realiza uma ultrapassagem em curva, em uma via com linha dupla contínua (proibitiva de ultrapassagem).
* Reason, J., Manstead, A., Stradlling, S., Baxter, J. & Campbell, K.(1990). Errors and violations on the roads: a real distinction? Ergonomics, 33(10/11). Estudo pioneiro realizado na Inglaterra, para apontar as razões da ocorrência de sinistros de trânsito.
Condutor x pedestre: a metamorfose no trânsito
Walt Disney, produtor e animador cinematográfico americano, responsável pela criação de personagens inesquecíveis como Mickey Mouse e Pateta, e fundador da Disney Company, uma das gigantes do entretenimento mundial, era considerado por muitos um homem a frente de seu tempo. Seus pensamentos e ideias revolucionaram o cinema mundial. Em 1950, em mais um de seus lampejos brilhantes de criação, Disney publicou um desenho animado, com seu personagem Pateta, em que demonstra a metamorfose de um pedestre, quando a bordo de seu automóvel.
O desenho animado, Motormania**, é a tradução das mudanças de comportamento dos condutores. Sempre revolucionário, Disney trouxe a tona as mudanças de comportamento dos motoristas, traduzindo em bom humor os desvios de conduta de condutores que, como pessoas, estão acima de qualquer suspeita. Sua animação é considerada até hoje, um exemplo do que pode ocorrer no trânsito, sendo ainda difundida para os futuros condutores, em inúmeras autoescolas do país.
Dentro do mencionado acima, descrevemos as mudanças de comportamentos de pessoas pacíficas que, em posse de um automóvel, se transformam em condutores irresponsáveis e perigosos. Como no exemplo de Disney, qual o motivo de um pacífico pedestre se transformar em um perigoso motorista? As mudanças de comportamento no trânsito estão ligadas a fatores sociais delicados. Como exemplo, podemos destacar o status social, gerado por um automóvel. A posse de um automóvel incute em uma pessoa um status de superioridade aos demais. Outro ponto importante se refere ao isolamento social que um veículo impõe em um condutor. Fechado no interior de um automóvel, o condutor não interage com o ambiente que o cerca, levando ao cometimento de atos individualistas, sem que haja preocupação com pedestres ou os demais condutores.
O individualismo exacerbado proporcionado pelo isolamento dentro de um veículo gera atitudes egoístas que colocam em risco a integridade física dos outros. Como mencionado em um certo trecho do desenho animado, quando “Sr. Andante” corre desesperadamente para seu veículo, procurando refúgio frente ao caos no trânsito, podemos considerar que o condutor enxerga seu veículo como uma fuga do ambiente que o cerca. Em contraponto, a bordo de seu veículo, este pedestre se transforma em “Sr. Volante”, o alter ego do pedestre aflito. Dentro de sua armadura de metal, se transforma em uma pessoa fechada, acima dos demais ao seu redor.
Outro fator preponderante nos casos de sinistros se refere ao estresse no trânsito congestionado das grandes cidades. Os problemas de engenharia urbana, com ruas apertadas que não comportam o grande número de veículos, sinais semafóricos inoperantes e falta de fiscalização exacerbam os nervos dos motoristas gerando um festival de atos mal educados no trânsito, traduzidos em fechadas, ultrapassagens indevidas, xingamentos e desrespeito aos pedestres, entre tantos comportamentos inadequados.

Identificando o erro nos “outros”
A realidade selvagem do trânsito nas grandes cidades brasileiras gera motoristas em estado elevado de estresse, psicologicamente armados para uma guerra que, ao primeiro sinal de animosidade, atacam irracionalmente para se defenderem. Inúmeros são os casos em que simples incidentes de trânsito, levam ao cometimento de crimes inimagináveis para muitos destes condutores. Mas afinal, como identificar os erros cometidos pelos condutores? Esta questão levanta outra questão importante: Como identificar os erros praticados no trânsito, com base em uma auto-avaliação?
Indagados a respeito da auto-avaliação dos comportamentos no trânsito, a maioria dos condutores identifica em outros condutores os erros cometidos na direção de veículo automotor. Geralmente, o condutor, baseado na cultura individualista do automóvel, acredita ser exemplo dentro do trânsito. Não identifica em si o cometimento de infrações e atribui a outros fatores, seus erros de direção. Inúmeros condutores, quando flagrados por agentes de trânsito, sequer reconhecem a própria culpa. Atribuem aos outros condutores, às estradas ou sinalizações inadequadas e até mesmo tentam, em muitos momentos, desqualificar os atos praticados pelos agentes de trânsito, contra um comportamento inadequado identificado em si mesmo.
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Psicólogos de trânsito acreditam que muitos condutores incorporam seus veículos, tornando-os extensão de sua própria personalidade. A bordo dos veículos, os traços de personalidade se superdimensionam, levando muitos destes condutores a descarregarem suas frustrações e problemas no sistema já caótico de trânsito. Identificar os vícios em sua própria personalidade é muito mais complicado que atribuir aos outros os problemas do caos no trânsito. Esta dificuldade é um sinal claro do individualismo e é fator complicante na busca de um trânsito mais humano.

Os diferentes tipos de motoristas
Finalmente chegamos ao tema título deste artigo. Dentro do que verificamos até agora, os problemas do trânsito se baseiam nas tomadas de decisões rápidas, que em muitas vezes, podem ser errôneas, colocando em risco a vida de outrem. Os atos dos condutores podem ser resumidos em erros e violações, isto é, com dolo ou culpa. Conferimos também os efeitos psicológicos atribuídos aos condutores e pedestres, na metamorfose no trânsito. Com base no verificado, podemos dividir os atos dos condutores em grandes grupos, separados por traços de personalidades, que evidenciam a forma que dirigem. Acompanhe abaixo os tipos de condutores, de acordo com a forma em que conduzem seus veículos:
O Introvertido ou absorto
Aquele motorista que se caracteriza pela condução distraída e fora da realidade que o cerca. Este motorista, quando dirige, mergulha em pensamentos se dispersando da atenção do trânsito que o cerca. Considerado um potencial causador de acidentes por não apresentar atenção necessária no trânsito
O agressivo
Caracteriza pelo tipo de condução dolosa. Seus atos são voltados para a violação da legislação e da harmonia no trânsito. Dirige de forma perigosa e sempre se envolve em problemas no trânsito. Destaca-se pelo individualismo exacerbado. Não reconhece seus erros. Este tipo de motorista é considerado o mais danoso e com maior probabilidade de causar acidentes graves.
O inseguro
Este tipo de motorista se caracteriza pela insegurança em suas ações na direção de um veículo. Sua falta de confiança em dirigir pode gerar erros de direção. Não conhece seu veículo e suas limitações, tampouco o meio ambiente que o cerca. Outro potencial causador de acidentes, geralmente gerados por culpa.
Confiante ou arrojado
Diferentemente do inseguro, o motorista confiante ou arrojado se caracteriza pelo excesso de confiança na direção. Acredita possuir habilidade suficiente para dirigir. O motorista confiante comete erros e violações simultaneamente, sempre com a desculpa de que possuía o domínio do veículo no momento da ação, não reconhecendo seus erros. Potencial causador de acidentes graves.
Apressado
Tipo de motorista que possui como premissa básica, não perder tempo no trânsito. Dirige de forma impaciente, sempre se aborrecendo com os motoristas que trafegam em velocidade moderada. Nas grandes cidades, costumam costurar no trânsito e nas rodovias, sempre trafegam em velocidade elevada, cometendo infrações perigosas. Potencial causador de acidentes graves.
Prudente
Tipo de motorista ideal, mas não encontrado com frequência no trânsito. Se caracteriza pelo respeito às leis e aos demais elementos que compõem o trânsito, como outros condutores e pedestres. Este tipo de motorista, quando comete uma infração, se aborrece por seu ato.
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