Erramos ao ensinar nossos jovens a dirigir



O grande problema
social é a "sensação".
A sensação de que
os acidentes de
trânsito só acontecem
com os outros

GABRIELA GONCHOROSKI*

Temos errado constantemente ao ensinar nossos jovens a dirigir. Erramos de duas maneiras: no seio das relações familiares e no sistema de formação.

Basta uma reflexão sobre os dados estatísticos que retratam a acidentalidade do trânsito que perceberemos o quanto temos errado ao ensinar a condução de veículos para a nossa juventude.

E não é à toa que os jovens estão no topo da lista de vítimas de acidentes de trânsito, constituindo entre si uma legião de mutilados e deixando para trás uma imensidão de famílias despedaçadas pela dor da perda de um ente querido.

Esses jovens são vítimas de si mesmos e desta sociedade arcaica que persiste em eternizar os mesmos erros do passado.

É exorbitante o número de jovens não habilitados que se envolvem/causam acidentes de trânsito; mas o certo é que cada um desses jovens teve o aprendizado das técnicas de condução do veículo que dirigiam. Então, alguém com toda a certeza assumiu o risco de ensinar uma pessoa a dirigir sem a autorização do órgão de trânsito competente. E é claro que o poder público falhou na fiscalização, que, se ocorresse de maneira efetiva, conseguiria diminuir o número de "não habilitados" circulando por aí dirigindo veículos e colocando em risco a segurança de si mesmo e dos demais.

Ainda neste contexto que envolve a juventude, é perceptível que muitas vítimas são jovens recém habilitados; que por imperícia e até mesmo imprudência acabam por se envolver/causar acidentes de trânsito, neste caso são vítimas desta sociedade que se mantém muda diante dos desmandos do Denatran, que nos submete a este deficiente sistema de formação de condutores.

O grande problema social que enfrentamos é a "sensação". A sensação de que os acidentes de trânsito só acontecem com os outros. E a famosa sensação de impunidade causada pela falha do poder público ao fiscalizar e punir as barbáries que se dão no trânsito.

E a solução para esses problemas passa impreterivelmente pela "ação". A ação social mobilizada com a finalidade de exigir do órgão responsável pelo trânsito as mudanças devidas e necessárias para modernizar o sistema de formação de condutores, trazendo o Brasil para a era atual e tecnológica existente em diversas partes do mundo. E a ação legislativa empenhada em dar a real importância que o trânsito deve ter na grade curricular do ensino formal, da responsabilização dos proprietários dos veículos conduzidos por menores e não habilitados, da restrição de liberdade daqueles que causaram acidentes com vítimas fatais (quando houver dolo) e por aí vai.

Estamos na década mundial do trânsito, e não temos avançado quase nada nesses dois anos e meio de ações paliativas, seminários, palestras e eventos. É preciso que cada um de nós assuma seu papel social na diminuição dos acidentes de trânsito.

*Instrutora de trânsito, acadêmica em Ciência Política
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