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Redação,Via Certa


RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma tendência após a recessão impulsionou as estatísticas sobre informalidade: o aumento no número de motoristas de aplicativo e vendedores de alimentos na rua.

Ediney Guimarães, 30, e Márcio Panúncio, 47, viveram os dois. Dirigiram para aplicativos e depois viram na venda de refeições a outros motoristas a oportunidade para fazer a vida reduzindo o estresse e as horas de trabalho.

O primeiro diz ter começado essa vida cedo, quando a concorrência entre os motoristas era menor. "Conseguia fazer algum dinheiro, mas o número de motoristas foi aumentando, e a renda, caindo", conta. Há três anos, decidiu começar a vender quentinhas para colegas de profissão.

"Levava 20 quentinhas, não vendia quase nada", diz. Quando conseguiu clientela fiel, parou de rodar e montou ponto em uma praça no centro de Niterói.

Vendedor mais conhecido da área, diz que chegou a vender de 120 a 130 quentinhas nos melhores dias. "Fui o primeiro, hoje tem mais de dez [vendedores]", diz. Todos cobrando o mesmo preço: R$ 12, com direito a um refresco.

Márcio chegou depois, em meados de 2019, cansado das longas jornadas dentro do carro. "Estava trabalhando de 14 a 18 horas por dia para bater minha meta [de receita], fora o risco de assalto. Desisti", conta.

Sem a clientela de Ediney, vendia entre 50 e 60 quentinhas por dia, que preparava com ajuda da cunhada. Era a única fonte de renda para o sustendo da casa, que divide com mulher e duas filhas. "Minha meta era chegar a 100", planejava.

Na primeira semana de isolamento no Rio, Ediney já havia desistido de ir para a rua, limitando-se a entregas de encomendas, e Márcio, a despeito da menor concorrência, viu as vendas caírem para 30 refeições. "Se o rapaz do Honda [Ediney] vier trabalhar amanhã, eu nem venho", disse à reportagem no dia 20.

O rapaz do Honda não foi mais. "Deram o toque de recolher e estou sem trabalhar", diz Ediney. As três funcionárias que faziam as refeições foram mandadas para casa. O estoque de mantimentos que tinha está lhe garantindo refeições. "Estou com grana só para o aluguel deste mês", diz.

A crise pegou Márcio em uma situação mais delicada: tinha acabado de investir para montar uma pensão no piso térreo da casa em que mora. "Depois que o coronavírus chegou, eu parei. Está quase 100% para ser inaugurada, mas com essa bomba não tem como."

Da última vez que a reportagem o encontrou, disse que estava cortando supérfluos. Na semana passada, quando as restrições na cidade se aprofundaram e os carros de aplicativo praticamente sumiram, ele não apareceu mais.

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