Fiocruz cria teste que prevê resposta ao tratamento da esclerose múltipla


foto: Rudson Amorim

Um estudo coordenado pela Fiocruz pode mudar a forma como é indicado o tratamento para pessoas com esclerose múltipla (EM). A pesquisa mostrou que é possível prever se um paciente vai responder bem ao medicamento natalizumabe, um dos mais usados contra a doença, antes mesmo do início da terapia, a partir de um exame simples feito com amostra de sangue.

O trabalho foi publicado na revista científica Nature Communications e é liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A esclerose múltipla é uma doença autoimune que atinge o sistema nervoso central e pode causar fadiga intensa, alterações motoras e cognitivas, perda de visão e outros sintomas neurológicos. Apesar de não ter cura, a doença pode ser controlada com tratamento.

Segundo os pesquisadores, cerca de 35% dos pacientes não respondem adequadamente ao natalizumabe, mesmo após anos de uso, ficando expostos a riscos e efeitos colaterais sem obter os benefícios esperados. A partir dessa constatação, a equipe desenvolveu um teste laboratorial capaz de analisar como células de defesa do próprio paciente reagem ao medicamento.

O método avalia o comportamento de um tipo específico de célula do sistema imunológico, os linfócitos T CD8, quando expostos ao natalizumabe em laboratório. Com o uso de microscopia avançada e algoritmos de aprendizado de máquina, os cientistas identificaram padrões celulares associados à boa ou à má resposta ao tratamento.

De acordo com o pesquisador Vinicius Cotta, do IOC/Fiocruz, um dos autores do estudo, a descoberta representa um avanço importante na personalização do tratamento, pois permite identificar previamente quais pacientes devem se beneficiar da terapia, evitando a exposição desnecessária a riscos, reduzindo custos e possibilitando a adoção mais rápida de medicamentos mais eficazes, com impacto positivo na qualidade de vida.

Embora ainda não exista um kit clínico disponível para uso em hospitais, o teste já funciona integralmente em laboratório. A expectativa é que o método seja simplificado, validado em diferentes populações e possa ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) até 2035.

Além do IOC/Fiocruz, o estudo contou com a participação de pesquisadores de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Fiocruz Ceará, Universidade de São Paulo (USP), Hospital Israelita Albert Einstein e do instituto francês INFINITy/Inserm, reforçando a cooperação nacional e internacional na busca por tratamentos mais eficazes e personalizados para a esclerose múltipla.

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