O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e a Polícia Civil investigam um adolescente que usou um traje com referência ao nazismo durante a festa de formatura do curso de Medicina da Facene, realizada no sábado (10), em Mossoró, no Oeste potiguar. Imagens do jovem circularam nas redes sociais horas após o evento, mostrando que, além da vestimenta, ele fez a saudação nazista, gesto associado ao regime liderado por Adolf Hitler.
Segundo o delegado Rafael Arraes, foi instaurado inquérito para apurar os fatos. Como o adolescente e a família residem no Ceará, serão expedidas cartas precatórias para a oitiva do jovem e de seus responsáveis, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) de Mossoró.
O MPRN também instaurou procedimento extrajudicial para coleta de informações, reunindo todas as denúncias em um único processo. Após análise das provas, serão definidas as medidas cabíveis, inclusive sobre a possível responsabilização do adolescente e de seus responsáveis.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o adolescente pediu desculpas e classificou o traje como uma “fantasia inadequada”, afirmando que costuma se fantasiar de personagens históricos, que comprou a roupa em uma feira em Fortaleza e que não imaginou a repercussão do ato.
A organização do evento afirmou que o jovem entrou na festa sem a vestimenta e que a troca de roupa ocorreu dentro do local, sem o conhecimento da produção, apenas para registros pessoais, e repudiou o ocorrido. A Faculdade de Enfermagem Nova Esperança de Mossoró, no Rio Grande do Norte, também manifestou repúdio à participação do menor com o uniforme nazista durante a cerimônia de formatura, esclarecendo que não organizou o evento e reafirmando seu compromisso com valores democráticos e a dignidade humana.
O Conselho Tutelar de Mossoró declarou que, por se tratar de suposto ato infracional, a apuração cabe à autoridade policial, mas reforçou o repúdio a qualquer prática racista ou discriminatória. A apologia ao nazismo é crime no Brasil desde 1989, com pena de dois a cinco anos de reclusão e multa. Como se trata de menor de idade, o ato é considerado infracional, análogo ao crime.
