O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar as novas tarifas anunciadas por Washington. A declaração foi dada na madrugada deste domingo (22), durante conversa com jornalistas em Nova Délhi, na Índia.
Segundo Lula, o Brasil não pretende se alinhar a blocos em um cenário de tensão global. “Quero dizer ao presidente Trump que não desejamos uma nova Guerra Fria. O Brasil não quer escolher lados. Queremos manter relações equilibradas com todos os países, com respeito e tratamento recíproco”, afirmou.
Trump anunciou na sexta-feira (20) a aplicação de uma tarifa global de 10%, com base na seção 122 do Ato do Comércio de 1974, após a Suprema Corte limitar o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). No sábado (21), o percentual foi elevado para 15%.
O presidente brasileiro declarou ainda que recebeu com tranquilidade os desdobramentos das disputas judiciais nos Estados Unidos e avaliou que o governo agiu com prudência ao conduzir as negociações comerciais. “Agimos com cautela e fizemos a escolha correta. Em alguns pontos, o próprio governo americano reviu decisões. Agora, com a posição da Suprema Corte, quero tratar diretamente com Trump de toda a agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos”, disse.
Lula também voltou a defender o debate sobre o uso do dólar nas transações internacionais. Para ele, é preciso discutir alternativas nas relações comerciais, inclusive entre países do Brics. “Não se trata de criar uma moeda do Brics, mas de discutir possibilidades. Para o Brasil negociar com a Índia, precisamos necessariamente usar o dólar ou podemos utilizar nossas próprias moedas?”, questionou.
Os Estados Unidos e as recentes medidas anunciadas por Trump dominaram parte da entrevista concedida em Nova Délhi. De acordo com o Palácio do Planalto, Lula deve se reunir com o presidente norte-americano em março.
O chefe do Executivo está em viagem pela Ásia. Na Índia, firmou acordos relacionados a minerais críticos e terras raras. A próxima parada será a Coreia do Sul, onde cumprirá agenda acompanhado de uma comitiva formada por 11 ministros.
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