| Foto: Reprodução |
O aumento no preço dos combustíveis começa a impactar o transporte público no Rio Grande do Norte e levanta a possibilidade de reajuste de tarifas e de mudanças na operação de ônibus intermunicipais. Empresários do setor admitem risco de cortes caso não haja apoio do poder público.
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, afirma que há elevação nos custos operacionais e defende a adoção de medidas por parte dos governos. Segundo ele, o diesel, um dos principais insumos da operação, registrou aumento nos últimos dias, chegando a cerca de 25% em algumas empresas no Rio Grande do Norte.
De acordo com o dirigente, na ausência de subsídios ou compensações, o sistema pode precisar de ajustes. Ele cita, entre as possibilidades, a adequação da frota à nova realidade de custos. Laranjeiras também afirma que o impacto não se restringe ao combustível, alcançando outros insumos da cadeia.
O setor defende evitar o repasse do aumento para a tarifa, sob o argumento de que a elevação no preço das passagens pode reduzir a demanda e afetar a sustentabilidade financeira das empresas. Nesse contexto, a Fetronor informa que mantém diálogo com governos estaduais e municipais.
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) informa que, no momento, não há previsão de redução da frota na capital. O órgão afirma que acompanha o cenário de forma contínua e que, até agora, está mantida a operação dos ônibus na cidade.
Segundo a secretaria, a prioridade é garantir a regularidade do sistema, especialmente nos horários de maior demanda. Eventuais ajustes operacionais podem ocorrer de forma pontual, com base em critérios técnicos, sem prejuízo ao atendimento.
A STTU também informa que mantém diálogo com as empresas para avaliar custos e buscar alternativas que assegurem a continuidade do serviço, incluindo medidas como otimização da operação e monitoramento da demanda.
Em relação a um possível aumento da tarifa, o órgão esclarece que não há reajuste automático vinculado ao preço dos combustíveis e que qualquer decisão depende de estudos técnicos, considerando impactos sociais e econômicos.
Representantes do setor empresarial reiteram que, sem medidas de apoio, o aumento dos custos pode resultar em mudanças operacionais, como a redução da frota.
Na semana passada, gasolina e diesel registraram aumento nas refinarias. No Rio Grande do Norte, o preço da gasolina superou R$ 7,60 em alguns postos. A Brava Energia, responsável pela refinaria Clara Camarão, informou reajustes nos combustíveis: o diesel S-500 passou de R$ 5,07 para R$ 5,52, e o diesel marítimo de R$ 5,07 para R$ 5,32.
Diante do cenário, órgãos como Procon, Ministério Público e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informaram a abertura de investigações para apurar possíveis irregularidades, incluindo suspeitas de cartel e aumentos sem justificativa. Entre os pontos analisados está a margem de lucro na revenda, que, no caso do etanol, pode chegar a até 86%, segundo dados citados nas apurações