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| Varejistas europeias começaram a tirar de circulação fones de ouvido após pesquisa detectar substâncias químicas perigosas - Foto: Shutterstock |
Varejistas europeias começaram a tirar de circulação dezenas de modelos de fones de ouvido. A decisão foi motivada por uma investigação do projeto ToxFree LIFE for All, financiada pela União Europeia, que detectou substâncias químicas prejudiciais ao sistema hormonal nos produtos testados.
O estudo analisou 81 modelos de fone. Entre eles, estavam modelos de marcas como Apple, Samsung, JBL e Bose. E a pesquisa apontou a presença de compostos perigosos como bisfenóis e ftalatos.
Embora, as concentrações individuais sejam baixas, o alerta recai sobre a exposição cumulativa e o risco potencial de desequilíbrios reprodutivos e neurocomportamentais a longo prazo.
Perigo invisível nos plásticos e o impasse regulatório
Os compostos identificados atuam como desreguladores endócrinos, substâncias que funcionam como “impostores” químicos no organismo. Eles mimetizam os hormônios naturais, ocupando o lugar de moléculas vitais e enviando sinais errados para as células, o que pode desregular funções básicas do corpo.
Além disso, o Bisfenol S (BPS) foi encontrado em 75% dos produtos. Embora, seja usado para substituir o BPA, ele mantém efeitos tóxicos semelhantes, configurando o que especialistas chamam de “substituição lamentável”.
O risco à saúde é acentuado por fatores externos, como o calor e o suor durante atividades físicas. Esses elementos facilitam a migração dos químicos das partes rígidas do dispositivo diretamente para a pele do usuário.
A toxicologista Hester Hendriks pondera que, embora o perigo imediato seja baixo, a absorção cutânea prolongada ainda carece de estudos mais aprofundados.
Entre os modelos que receberam a classificação mais crítica (“vermelha”) estão os headsets gamer Razer Kraken V3 e HyperX Cloud III, além do fone premium Sennheiser Momentum Wireless 4. Fones infantis da marca HEMA também foram reprovados.
Em cerca de 60% dos dispositivos analisados, foram encontrados ftalatos, aditivos que tornam o plástico maleável, mas que são classificados como substâncias cancerígenas.
Fabricantes como Bose, Sennheiser e Marshall contestam os resultados, afirmando que seus equipamentos cumprem as exigências legais vigentes na Europa.
O argumento das empresas é que o estudo utilizou critérios de teste muito mais rígidos do que os padrões oficiais da União Europeia. Isso teria gerado uma divergência técnica sobre os limites de segurança aceitáveis para o consumidor, segundo as companhias.
Os autores da pesquisa defendem uma reforma na legislação europeia para banir classes inteiras de substâncias em vez de analisar compostos um a um.
“Acreditamos que uma abordagem sistêmica para proibir e eliminar gradualmente os produtos químicos mais nocivos – que têm efeitos intergeracionais – é o caminho a seguir”, disse Karolína Brabcová, gerente de campanhas sobre produtos químicos tóxicos em produtos de consumo na organização sem fins lucrativos tcheca Arnika, coautora da pesquisa.
Os objetivos são aumentar a transparência sobre a composição dos materiais. E evitar que a indústria substitua uma substância proibida por outra variante química igualmente prejudicial.
A investigação apontou que o Bisfenol A (BPA), utilizado para dar rigidez ao plástico, estava presente em 98% das amostras. Em alguns casos, os níveis atingiram 351 mg/kg, valor 35 vezes superior ao limite de segurança proposto pela Agência Europeia de Substâncias Químicas (ECHA).
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