Professora da Unicamp deixa prisão após audiência por suspeita de furtar vírus

Soledad Palameta Miller, professora da Unicamp - Foto: Reprodução


A professora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas, foi solta após audiência de custódia realizada na terça-feira (24), depois de ter sido presa em flagrante sob suspeita de furtar amostras virais de um laboratório da instituição.

Na decisão, a juíza Valdirene Ribeiro de Souza Falcão, da 9ª Vara Federal de Campinas, apontou que há indícios de autoria e materialidade do crime, mas concedeu liberdade provisória à docente. O Ministério Público Federal se manifestou favorável à soltura, sugerindo medidas cautelares.

Entre as determinações impostas pela Justiça estão o comparecimento mensal em juízo, proibição de deixar Campinas sem autorização, pagamento de fiança equivalente a dois salários mínimos, impedimento de acesso aos laboratórios da universidade e proibição de sair do país.

O caso teve início em 13 de fevereiro, quando foi identificado o desaparecimento de caixas com vírus armazenados no laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp, em uma área de alta segurança biológica (NB-3). As investigações indicam que a professora teria utilizado o acesso de terceiros para entrar nos laboratórios e retirar o material, que posteriormente foi encontrado em freezers de outros setores da universidade, alguns já abertos e manipulados.

Também foram localizados frascos descartados de forma irregular em lixeiras comuns, o que levantou preocupação sobre possíveis riscos sanitários. O material recuperado foi encaminhado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para análise.

A prisão foi realizada pela Polícia Federal, com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, após a própria universidade comunicar o desaparecimento das amostras. A professora foi detida enquanto dirigia, após sair de casa, e permaneceu em silêncio durante o interrogatório.

Segundo as investigações, ela não possuía laboratório próprio e utilizava espaços de outros pesquisadores, o que pode ter facilitado a movimentação do material dentro da instituição.

Os envolvidos podem responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado. Em nota, a Unicamp afirmou que colabora com as investigações e adota as medidas necessárias. A defesa da professora não se manifestou até o momento.

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