Vorcaro planejou 'assalto’ para 'prejudicar violentamente’ jornalista Lauro Jardim

Vorcaro discutiu assalto para intimidar Lauro Jardim - Foto: Reprodução 

Um dos nomes mais conhecidos do jornalismo político brasileiro, o colunista de "O Globo", Lauro Jardim, construiu sua carreira revelando bastidores do poder em Brasília. 

Nesta quarta-feira (4), porém, o jornalista se tornou notícia após ter o nome citado em mensagens investigadas pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero. 

Daniel Vorcaro, dono do Master, teria planejado a simulação de um assalto contra o jornalista com o objetivo de intimidá-lo, "prejudicá-lo violentamente" e silenciar sua atuação na imprensa.

Jardim iniciou a carreira no jornal O Globo em 1989, onde trabalhou até 1992. Em seguida, passou pela revista IstoÉ e, em 1994, assumiu como editor de Economia do Jornal do Brasil, permanecendo no cargo até 1995.

No mesmo ano, ingressou na editora Abril, onde atuou na revista Exame. Em 1998, assumiu a chefia da sucursal do Rio de Janeiro da revista Veja. 

Dois anos depois, passou a comandar a coluna Radar, espaço em que se destacou por divulgar informações exclusivas sobre o governo federal, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.

A coluna rapidamente se tornou referência na cobertura de bastidores da política brasileira. Em 2015, Jardim retornou ao O Globo, onde mantém até hoje uma coluna dedicada a revelar informações exclusivas e bastidores envolvendo política, economia, negócios, esporte, cultura e outros temas considerados relevantes.

Vorcaro discutiu assalto para intimidar Lauro Jardim

Segundo apuração divulgada por O Globo e informações da investigação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria discutido em mensagens a possibilidade de simular um assalto contra o jornalista com o objetivo de intimidá-lo. Ele foi preso novamente nesta fase da Operação Compliance Zero.

A decisão que autorizou a prisão, assinada pelo ministro André Mendonça, aponta indícios de que o plano teria como objetivo “prejudicar violentamente” o colunista e “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”.

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro indicam que Vorcaro sugeriu colocar pessoas para seguir Lauro Jardim e mencionou a possibilidade de agredi-lo em um suposto assalto. Em um dos trechos citados na decisão judicial, ele afirma: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.

De acordo com os investigadores, as conversas ocorreram após a divulgação de notícias consideradas contrárias aos interesses do empresário. A investigação da Polícia Federal aponta que as mensagens envolvendo o plano contra o jornalista foram trocadas em um grupo chamado “A Turma”, do qual Vorcaro participava.

Segundo os investigadores, o grupo reunia pessoas com diferentes funções, incluindo um ex-diretor do Banco Central, um ex-chefe de departamento da instituição, um policial civil aposentado e Felipe Mourão, apontado como responsável por coordenar ações de vigilância e monitoramento.

De acordo com a PF, Mourão também realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos utilizando credenciais de terceiros, com acessos indevidos a bases da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até de sistemas internacionais.

As investigações indicam ainda indícios de pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão a Mourão, que seriam repassados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, para financiar atividades do grupo. Em nota, o jornal O Globo repudiou as ameaças contra o colunista.

“O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia”, afirmou o jornal.

A defesa de Daniel Vorcaro negou as acusações e afirmou que o empresário sempre colaborou com as investigações e confia no esclarecimento completo dos fatos. O caso segue sob investigação no Supremo Tribunal Federal.
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