MPRN investiga esquema de fraude no Detran com veículos de luxo




Uma operação deflagrada na manhã desta terça-feira (28) investiga um grupo suspeito de utilizar uma empresa de fachada para fraudar processos de registro e licenciamento no Detran/RN, com o objetivo de dar aparência de legalidade a veículos de luxo roubados.

Batizada de Operação Evolution, a ação é conduzida pelo Gaeco do Ministério Público do RN e identificou uma estrutura criminosa que contava com a participação de despachantes, servidores públicos e financiadores. Esses agentes facilitavam a inserção e validação de dados falsos no sistema oficial.

De acordo com as investigações, o grupo manipulava informações para transformar registros de motocicletas de baixa cilindrada em documentos de veículos de alto padrão. Em alguns casos, eram criados registros de automóveis de luxo que sequer existiam fisicamente, utilizando chassis de ciclomotores.

A empresa no ramo de alimentos, segundo o MP, teria sido criada exclusivamente para servir de base documental ao esquema. Por meio dela, os suspeitos simulavam uma frota comercial para “lavar” veículos de origem criminosa. Após a criação dos registros, o grupo aguardava ou encomendava roubos de carros com características semelhantes para regularizar os dados e permitir a circulação dos veículos sem restrições.

O nome da operação faz referência à “evolução” documental fraudulenta dos veículos, além de ironizar o crescimento patrimonial incompatível dos investigados.

Entre 2017 e 2019, a empresa adquiriu 29 veículos de luxo sem atividade econômica compatível, movimentando mais de R$ 21,9 milhões.

Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Maranhão. No RN, as ações ocorreram em Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. Também houve diligências em Caruaru (PE) e Timon (MA). A Justiça determinou ainda o bloqueio da frota vinculada à empresa.

O material apreendido será analisado para aprofundar as investigações e identificar outros envolvidos. Segundo o Ministério Público, o caso envolve crimes como falsidade documental, inserção de dados falsos em sistemas, corrupção, adulteração de veículos, receptação qualificada e lavagem de dinheiro. A operação contou com apoio das polícias Militar e Rodoviária Federal, além de órgãos de outros estados.

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