O Rio Grande do Norte está entre os estados atingidos pela Operação Heavy Pen, deflagrada pela Polícia Federal no Dia Mundial da Saúde (7 de abril), que investiga um esquema nacional de produção e comercialização ilegal de medicamentos injetáveis para emagrecimento e controle da glicose. A ação, realizada com apoio da Anvisa, alcançou 12 estados e identificou insumos suficientes para fabricar mais de 1 milhão de canetas.
No estado, os alvos são suspeitos de participação na produção, fracionamento e venda de substâncias sem registro ou de origem desconhecida. Ao todo, foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e realizadas 24 ações de fiscalização em farmácias de manipulação, clínicas e empresas. Os alvos são investigados por possível participação na produção, fracionamento ou venda de substâncias sem registro ou de origem não comprovada.
Produção milionária e movimentação suspeita
Segundo a investigação, foram identificados insumos suficientes para a produção de mais de 1 milhão de canetas injetáveis. Também foi detectada movimentação financeira de R$ 4,8 milhões em operações consideradas irregulares, especialmente em empresas da região metropolitana de São Paulo.
Entre os materiais apreendidos estão substâncias como semaglutida e tirzepatida, amplamente utilizadas em tratamentos para emagrecimento e controle da glicose.
A operação também mapeou a circulação da retatrutida, um composto ainda em fase de estudos clínicos e sem aprovação de qualquer agência reguladora no mundo. A substância foi apreendida em Goiás e identificada em notas fiscais analisadas em São Paulo.
Irregularidades e apreensões
Durante as diligências, a Anvisa encontrou:
Mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados sem prescrição
509 gramas do insumo farmacêutico ativo da substância
Mais de 37 mil ampolas de outros produtos manipulados
Em outra frente da operação, no Pará, foram apreendidos itens de alto valor, como veículos, relógios, além de medicamentos de uso controlado e alta letalidade, como propofol e fentanil. Também foi encontrada tirzepatida em um consultório odontológico instalado dentro de uma academia.
Dados da Polícia Federal apontam aumento significativo na circulação desses produtos ilegais. Em 2024, foram apreendidas 609 unidades. Em 2025, o número saltou para 60.787. Até março de 2026, já são 54.577 unidades recolhidas em todo o país.
A apuração envolve toda a cadeia do esquema, desde a importação irregular de insumos até a distribuição e venda final. Os investigados podem responder por crimes como falsificação de produtos terapêuticos, comércio irregular e contrabando.