O Rio Grande do Norte registrou 27 surtos de ciguatera nos cinco primeiros meses de 2026, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), um aumento de 107% em relação a todo o ano anterior.
Até esta semana, o estado confirmou 20 casos de intoxicação por exames laboratoriais. Outros registros seguem em investigação, incluindo o de uma idosa de 85 anos que morreu na última segunda-feira (25) após quase um mês internada com suspeita da doença.
De acordo com a Sesap, os surtos ocorrem quando várias pessoas adoecem após consumir o mesmo peixe contaminado, como em reuniões familiares ou entre amigos. A maior parte dos registros foi identificada no litoral norte potiguar, entre os municípios de Touros e Tibau.
Parte do pescado consumido pela idosa foi recolhida para análise laboratorial, cujo resultado deve sair em cerca de 60 dias.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes contaminados por toxinas produzidas por microalgas presentes em recifes de corais. Não existe tratamento específico para a doença.
O primeiro surto registrado no Rio Grande do Norte ocorreu em 2022 e atingiu dez pessoas da mesma família após o consumo de barracuda, conhecida popularmente como bicuda.
Desde então, casos da doença também foram associados ao consumo de espécies como cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.
A Sesap alerta que a toxina não é eliminada por cozimento, congelamento ou defumação. Os sinais costumam aparecer entre 30 minutos e 24 horas após o consumo do peixe contaminado.
Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores musculares, coceira intensa, fraqueza e alterações neurológicas. Em alguns casos, os efeitos podem durar semanas ou meses.
A orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico ao apresentar sintomas após o consumo de pescado e evitar peixes de origem desconhecida ou associados a relatos de intoxicação.