O assassinato do jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, em 2010, chocou a imprensa potiguar - Foto: Reprodução
O atentado registrado na noite desta segunda-feira (15), em Mossoró, que deixou ferido o vereador Cabo Deyvison e resultou na morte do assessor e cinegrafista Allyson Diego de Oliveira Morais, trouxe à memória dos potiguares um dos episódios mais marcantes da história recente da comunicação no Rio Grande do Norte: o assassinato do jornalista e radialista Francisco Gomes de Medeiros, o F. Gomes.
Reconhecido por seu trabalho investigativo e por denúncias envolvendo corrupção, tráfico de drogas e criminalidade na região do Seridó, F. Gomes foi executado a tiros em 18 de outubro de 2010, em frente à própria residência, em Caicó. Na época, ele tinha 46 anos e atuava como diretor de jornalismo da Rádio Caicó.
O caso teve ampla repercussão estadual e nacional, tornando-se um símbolo da luta pela liberdade de imprensa e pela proteção dos profissionais da comunicação. Em 2013, João Francisco dos Santos, conhecido como “Dão”, foi condenado a 25 anos e seis meses de prisão pelo homicídio do jornalista, além de responder por resistência à prisão. As investigações apontaram que o crime teria sido motivado pela atuação profissional de F. Gomes, e outros envolvidos na trama também foram processados e julgados pela Justiça ao longo dos anos.
O episódio ocorrido em Mossoró reacendeu discussões sobre a violência que atinge comunicadores e agentes públicos. Segundo informações preliminares, Cabo Deyvison foi baleado nas pernas enquanto realizava uma transmissão ao vivo nas proximidades da UPA do Alto de São Manoel. Já Allyson Diego, que o acompanhava na cobertura, não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
As circunstâncias e a motivação do atentado seguem sendo investigadas pelas forças de segurança.
Embora ocorridos em contextos distintos e separados por quase 16 anos, os dois casos têm em comum o impacto causado na sociedade potiguar. Ambos reforçam o debate sobre a segurança de profissionais da comunicação e de figuras públicas que atuam diretamente em contato com a população, além da necessidade de respostas rápidas e efetivas por parte das autoridades diante de crimes que abalam a opinião pública.