EUA voltam a criticar Pix e acusam Brasil de favorecer sistema estatal de pagamentos

Foto: REUTERS


Os Estados Unidos voltaram a fazer críticas ao Pix e acusaram o Banco Central do Brasil de favorecer o sistema de pagamentos instantâneos em detrimento de empresas privadas estrangeiras que atuam no setor. A alegação integra a justificativa apresentada pelo governo norte-americano para a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo documento divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o Brasil adota práticas consideradas desleais no segmento de pagamentos eletrônicos ao promover um sistema desenvolvido e administrado pelo próprio governo. Na avaliação americana, o Banco Central exerce simultaneamente as funções de regulador e operador do Pix, o que poderia comprometer a livre concorrência no mercado.

A crítica faz parte das conclusões de uma investigação aberta em julho de 2025 a pedido do presidente Donald Trump. O relatório aponta uma série de ações que, segundo Washington, estariam restringindo ou onerando o comércio e os serviços norte-americanos.

Embora o documento não cite diretamente o Pix em todos os trechos, ele menciona os serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo Estado brasileiro. Como o Pix é o principal sistema público dessa natureza no país, especialistas interpretam as referências como direcionadas à plataforma criada pelo Banco Central.

"O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação aos serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", afirmou o USTR em comunicado.

As críticas ao Pix não são inéditas. Em abril deste ano, um relatório da Casa Branca já havia apontado o sistema brasileiro como um fator de pressão competitiva para grandes empresas americanas do setor financeiro, como Visa e Mastercard.

Especialistas ouvidos por veículos da imprensa econômica avaliam que o sucesso do Pix, que se consolidou como um dos principais meios de pagamento do país, tem aumentado a preocupação de empresas tradicionais do setor. Além disso, o avanço de discussões sobre a internacionalização do sistema e iniciativas dos países do Brics para ampliar alternativas ao dólar no comércio internacional também são apontados como fatores que contribuem para o aumento das tensões entre os dois países.

Até o momento, o governo brasileiro e o Banco Central defendem que o Pix ampliou a inclusão financeira, reduziu custos de transação e estimulou a concorrência no sistema de pagamentos nacional, beneficiando consumidores e empresas.

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