A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pode negar a proposta de delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ex-banqueiro já recebeu uma primeira recusa da Polícia Federal (PF) e passou a tentar uma segunda proposta, que também deve ser negada na PF.
Além da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também estuda a possibilidade de negar a nova delação de Vorcaro. O órgão, no entanto, ainda não tomou uma decisão definitiva e segue avaliando a segunda proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro.
A intenção é que essa decisão seja tomada o mais rápido possível. Como mostrou a colunista Mônica Bergamo, da Folha, a PF pretende rejeitar a proposta apresentada por Vorcaro aos dois órgãos na semana passada.
Conforme a Folha, mesmo sem a PF, a PGR pode conduzir a negociação da delação sozinha. O ideal, segundo pessoas que acompanham as investigações, seria que ambos os órgãos fizessem um anúncio conjunto sobre a rejeição.
A defesa de Vorcaro encaminhou, na semana passada, uma nova proposta às autoridades, com complementações posteriores às informações inicialmente apresentadas. Com isso, não há previsão de novos aditamentos ao conteúdo oferecido.
Fontes ligadas à investigação apontam que a maior dificuldade do ex-banqueiro é sustentar suas declarações com provas que corroborem os fatos narrados, sobretudo, por estar detido.
Conforme a Folha, um exemplo utilizado por eles é de que Vorcaro precisa apresentar documentos do banco para provar relatos que pretende fazer.
O Banco Central decretou a liquidação do Master em novembro do ano passado e nomeou um liquidante oficial para a instituição financeira.
Essa apresentação de documentos demanda tempo, e esse é um dos motivos para a PGR não ter rejeitado a colaboração de Vorcaro já na primeira proposta.
Outro fator considerado relevante é a disposição do próprio investigado em colaborar efetivamente com as apurações, admitindo eventuais irregularidades praticadas por ele e indicando a participação de outras pessoas envolvidas.
Além da apresentação de provas que confirmem os relatos, uma proposta de delação também precisa trazer informações inéditas, capazes de abrir novas frentes de investigação, além de prever a devolução célere de recursos eventualmente obtidos de forma irregular.
As primeiras versões dos anexos da colaboração, foram entregues pela defesa de Vorcaro em 6 de maio. No entanto, investigadores da PF e da PGR avaliaram que o conteúdo apresentado até então tinha pouca relevância e não atendia às expectativas dos órgãos de investigação.
Conforme a Folha, as primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues pela defesa de Vorcaro no dia 6 de maio, mas investigadores da PF e da PGR consideraram fracas as informações do ex-banqueiro. A PF chegou a rejeitar a delação, mas depois voltou à mesa de negociação.
A primeira versão da delação também deixou de fora episódios considerados relevantes pelos investigadores. Entre eles, as suspeitas envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que mais tarde, se tornaram alvo de uma das etapas da Operação Compliance Zero.
Apesar de a apuração já avançar sobre esse caso, Vorcaro não o incluiu entre os fatos relatados em sua proposta de colaboração.
Outro assunto omitido foi o financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Reportagem do Intercept Brasil mostrou que Vorcaro teria priorizado o aporte ao projeto após pedidos feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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