Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
As mortes em decorrência de ações policiais aumentaram 6,4% em 2025 em nove estados brasileiros, segundo a 7ª edição do relatório Pele Alvo – Entre Racismo e Letalidade, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança, vinculada ao Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).
De acordo com o levantamento, foram registradas 4.330 mortes nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Desse total, 3.104 vítimas, o equivalente a 86,3%, eram pessoas negras (pretas ou pardas).
O estudo também mostra que a maioria das vítimas era jovem. Ao todo, 64,8% dos mortos tinham até 29 anos de idade, incluindo 310 crianças e adolescentes.
Segundo os pesquisadores, pessoas negras têm, em média, quatro vezes mais chances de morrer em ações policiais do que pessoas brancas. Em Pernambuco, esse risco chega a ser 11 vezes maior, enquanto no Rio de Janeiro a probabilidade é seis vezes superior.
O relatório afirma que, apesar das mudanças na dinâmica da violência no país, o perfil das vítimas permanece praticamente o mesmo ao longo dos anos: homens, jovens e negros.
Estados registram aumento da letalidade
Quatro estados apresentaram o maior número de mortes por intervenção policial desde o início da série histórica do estudo, em 2019: São Paulo (834 mortes), Pará (632), Ceará (200) e Maranhão (142).
O Maranhão registrou o maior crescimento proporcional em relação ao ano anterior, com alta de 86,8%. Os pesquisadores atribuem parte desse avanço à expansão de facções criminosas e à disputa por rotas do tráfico de drogas.
Na Bahia, apesar da redução em relação a 2024, o estado manteve um dos maiores índices de letalidade policial. Segundo o estudo, em apenas 19 dias de 2025 não houve registro de mortes provocadas por ações de agentes de segurança.
Pernambuco teve aumento de 30,8% nas mortes decorrentes de intervenções policiais. Já o Rio de Janeiro registrou alta de 13,8%, enquanto Pará e São Paulo tiveram crescimento de 12,3% e 2,3%, respectivamente. O Piauí foi o único estado que apresentou redução no indicador.
Falta de informações preocupa
O levantamento também aponta falhas no registro da raça ou cor das vítimas em alguns estados. No Ceará, por exemplo, 57,5% dos casos ainda não possuem essa informação. No Maranhão, esse percentual é de 54,9%.
Para os pesquisadores, a ausência desses dados dificulta a elaboração de políticas públicas e reforça a necessidade de ampliar a transparência sobre a atuação das forças de segurança.
O que dizem os governos
Procurados pela Agência Brasil, os governos estaduais citados no estudo se manifestaram parcialmente.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco informou que as ações policiais seguem critérios técnicos, legais e operacionais, sem qualquer distinção relacionada à cor da pele. Segundo o órgão, todas as ocorrências com mortes são investigadas pela Corregedoria, e eventuais irregularidades são apuradas.
Já a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro afirmou que os dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam redução de 12% nas mortes por intervenção policial entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O governo estadual também atribuiu parte dos confrontos à reação de grupos criminosos armados.
Com informações da Agência Brasil