Fernando Frazão/Agência Brasil |
Enquanto o Brasil registrou, em 2025, o menor índice de mortes violentas intencionais desde desde 2012, o Rio Grande do Norte seguiu em direção oposta. O estado apresentou aumento de 19,6% nesse tipo de ocorrência em comparação com o ano anterior, conforme a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23).
O levantamento mostra que apenas sete unidades da Federação tiveram crescimento nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) no período. O Rio Grande do Norte lidera essa lista, seguido por Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).
Além de registrar a maior alta entre os estados, o RN permanece entre as dez unidades da Federação com as maiores taxas de violência letal. O estudo destaca ainda que sete dos dez estados com os índices mais elevados estão localizados na região Nordeste, reforçando a concentração desse tipo de crime no Norte e Nordeste do país.
Os dados do Anuário também apontam mudanças no sistema prisional potiguar. A população carcerária passou de 12.663 pessoas, em 2024, para 14.234 em 2025. No mesmo intervalo, o número de vagas informado no levantamento caiu de 6.183 para 791.
Apesar do avanço nas mortes violentas, houve melhora em outro indicador de segurança. O Rio Grande do Norte registrou queda de 22,1% nos casos de roubos e furtos de celulares, desempenho que figura entre os melhores do país nesse quesito.
As Mortes Violentas Intencionais reúnem ocorrências de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenção policial e mortes de policiais, tanto em serviço quanto fora dele.
Brasil reduz violência letal:
No cenário nacional, foram contabilizadas 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, frente às 44.127 registradas em 2024. Com isso, a taxa caiu de 20,6 para 19,1 casos por 100 mil habitantes, a primeira vez que o indicador fica abaixo de 20 desde o início da série histórica, em 2012.
A redução foi impulsionada, principalmente, pela queda de 10% nos homicídios dolosos. Também diminuíram os casos de latrocínio, com retração de 17%, e de lesão corporal seguida de morte, que recuou 15,2%.
Por outro lado, o país registrou aumento de 5,4% nas mortes decorrentes de intervenções policiais e de 4% nos feminicídios.
Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresentou a maior taxa de mortes violentas, com 31,6 casos por 100 mil habitantes, seguido pelo Norte (25,3), Centro-Oeste (17,3), Sudeste (12,6) e Sul (11,9). Segundo o relatório, a expansão de organizações criminosas e a disputa por territórios e atividades econômicas ajudam a explicar a concentração da violência nas regiões Norte e Nordeste.