| Flávio Dino. Foto: Sergio Lima/AFP |
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13) a retirada do sigilo de documentos relacionados à investigação sobre o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso apura a possível utilização irregular de emendas parlamentares para financiar atividades ligadas à produção.
A decisão envolve materiais reunidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo longa. Dino também determinou que a Secretaria da Segurança Pública paulista entregue à Polícia Federal documentos, computadores, celulares e outros equipamentos apreendidos durante as apurações.
A investigação passou a ser conduzida no STF porque a Polícia Federal identificou possível conexão entre contratos públicos, entidades privadas e recursos indicados por parlamentares. Entre os investigados estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que atua como produtor-executivo do filme, e Karina Gama, dona da Go Up.
Na quinta-feira (10), a Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. A ação, autorizada por Dino, investiga a suspeita de que emendas tenham sido repassadas a organizações sem comprovação adequada dos serviços e, posteriormente, direcionadas a empresas relacionadas ao filme.
Um dos pontos analisados é o repasse de R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada a Karina Gama. A Polícia Federal também investiga transferências feitas por Mario Frias à produtora, consideradas incompatíveis com os rendimentos declarados pelo deputado. Frias nega irregularidades e afirma que os recursos tiveram finalidade social.
Ao justificar a publicidade dos documentos, Dino afirmou que os elementos indicam possível esquema de destinação e desvio de dinheiro público. Segundo o ministro, a divulgação busca garantir tratamento igual aos investigados e evitar vazamentos seletivos, mas o caso ainda está em fase de apuração e não houve condenação.
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Caso Dark Horse