Donald Trump rejeita proposta de acordo de paz do Irã para reabertura do Estreito de Ormuz

Norte-americanos pedem que as negociações entre os países tratem sobre o programa nuclear iraniano. Foto: Molly Riley/Casa Branca



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou formalmente uma proposta apresentada pelo governo do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação comercial dentro do prazo de sete dias. Em declaração concedida à imprensa na Casa Branca neste sábado (26), o líder norte-americano afirmou que Teerã busca um acordo imediato por estar perdendo o conflito. A via marítima estratégica, responsável pelo tráfego de cerca de um quinto do suprimento global de gás e petróleo, permanece com fluxo severamente comprometido desde a eclosão das hostilidades militares no último mês de fevereiro.

A proposta do governo iraniano foi detalhada na sexta-feira (25) pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O plano previa a decretação de um cessar-fogo de sete dias, a retomada das negociações sobre o programa nuclear e a liberação do tráfego marítimo em troca da suspensão do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos. O diplomata ressaltou que Teerã ainda aguarda uma notificação oficial dos mediadores internacionais sobre a recusa pública de Washington.

As tratativas sugeridas pelo Irã tinham como base um memorando de entendimento de 14 pontos assinado entre os dois países em 18 de junho, que incluía o compromisso de não desenvolvimento de armas nucleares e a liberação de inspeções da ONU. Contudo, o presidente norte-americano declarou que os EUA já possuem controle sobre o estreito, registrando tráfego médio recente de apenas 18 embarcações por dia, segundo dados da consultoria Kpler. Donald Trump indicou ainda a assessores a possibilidade de deflagrar uma nova campanha de bombardeios aéreos antes de avaliar novos termos de negociação.

A crise na região do Golfo Pérsico provocou fortes oscilações nos preços globais de energia e se agravou com a ofensiva paralela dos rebeldes Houthis do Iêmen, aliados do Irã, no Mar Vermelho. O grupo assumiu o controle do porto de Mokha e intensificou ataques a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, levando a coalizão saudita a interceptar mísseis balísticos e drones no fim de semana. O cenário de instabilidade amplia a pressão econômica e política sobre a Casa Branca às vésperas das eleições legislativas norte-americanas programadas para o mês de novembro.

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