| Trabalhadores da Codern realizam ato em frente ao Porto de Natal nesta quarta (16). Foto: Magnus Nascimento/TN |
Trabalhadores do Porto de Natal, no Rio Grande do Norte, protestam contra o que classificam como descumprimento de cláusulas de um acordo coletivo firmado com a Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). A principal reclamação envolve a forma como foi aplicado um reajuste salarial previsto no documento.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Portuários do RN, o acordo estabelecia aumento de 24,35%, com garantia de acréscimo mínimo de R$ 500 no salário-base. A entidade afirma que, para a maioria dos funcionários, a empresa aplicou apenas o percentual e pagou o restante como complemento separado, sem incorporá-lo ao salário.
O sindicato sustenta que essa prática provocou perdas em promoções, progressões e cálculos futuros. Cerca de 100 trabalhadores teriam sido afetados, principalmente os que recebem os menores salários. A categoria também contesta a proposta mais recente de reajuste, de 3,1%, considerada insuficiente diante da inflação acumulada.
Outra reivindicação é o pagamento de adicional de risco aos funcionários que atuam diretamente nas operações do terminal. Os trabalhadores pedem ainda a atualização do Laudo Técnico das Condições de Trabalho, alegando que o documento não reconhece adequadamente os perigos presentes em atividades como amarração e desamarração de navios.
A Codern afirma que vem cumprindo os pagamentos previstos no acordo e que o problema envolve uma divergência sobre a interpretação do cálculo, atualmente discutida na Justiça. A companhia também nega que existam empregados recebendo abaixo do salário mínimo e diz que o adicional de risco segue perícias judiciais e as normas legais.
A mobilização pode incluir atos em frente à empresa e paralisações parciais, com possibilidade de greve caso não haja avanço nas negociações. Uma eventual interrupção pode afetar operações do porto e o trânsito na região da Ribeira, em Natal.