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| Trata-se do primeiro teste comercial de detecção precoce multicâncer disponível no Brasil. Foto: GRAIL |
O Brasil passou a oferecer o Galleri, um exame de sangue capaz de identificar sinais associados a mais de 50 tipos de câncer. Desenvolvido pela norte-americana GRAIL e disponibilizado no país pela Gênesis Genomics, joint venture entre o Hospital Israelita Albert Einstein e o Grupo Fleury, o teste custa R$ 6.990, exige prescrição médica e não tem cobertura pelos planos de saúde. As amostras são coletadas localmente e enviadas para análise nos Estados Unidos, sendo voltadas principalmente a pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais e maior risco de desenvolver a doença.
O teste funciona como uma biópsia líquida, analisando o DNA livre circulante no sangue para mapear padrões de metilação que indicam a presença e a provável origem de tumores, como os de pâncreas, fígado e ovário, que não possuem rastreamento de rotina padronizado. A taxa de detecção varia segundo o volume de DNA liberado pela lesão e o estágio da doença. Por ser um exame de rastreamento, um resultado positivo requer confirmação por métodos tradicionais, como exames de imagem e biópsia convencional, enquanto um resultado negativo não descarta totalmente a presença de tumores.
Evidências científicas internacionais respaldam a tecnologia, como o estudo PATHFINDER 2, publicado na Nature Medicine com mais de 35 mil voluntários, que apontou 99,6% de especificidade e 91,3% de precisão na indicação do órgão de origem. Contudo, a sensibilidade global para os tipos de câncer analisados foi de 39,3%, variando de 21,4% no estágio 1 a 63,2% no estágio 4, mostrando maior eficácia em fases mais avançadas. Outra pesquisa no Reino Unido (NHS-Galleri, com 142 mil pessoas) registrou queda de 14% nos diagnósticos em estágio 4 e aumento na detecção precoce, embora ainda não comprove redução na mortalidade.
A novidade chega em um momento de crescimento da doença no país, onde o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 781 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028. Segundo Nam Jin Kim, diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, o rastreamento por biópsia líquida é promissor por antecipar o diagnóstico, o que amplia as chances de tratamento e cura.
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MEDICINA
