Consumidores com 65 anos ou mais fecharam 12,9 mil acordos para renegociar dívidas no Rio Grande do Norte entre janeiro e agosto de 2026. O número representa alta de 17,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Serasa. O crescimento superou a média geral do Estado, que foi de 12,3%.
O aumento ocorre em meio à pressão sobre o orçamento das famílias e à permanência da inadimplência em níveis elevados no país. No grupo de consumidores com 60 anos ou mais, o número de pessoas negativadas cresceu 10,7% entre agosto de 2025 e agosto de 2026, maior avanço entre as faixas etárias analisadas pela Serasa.
O cenário tem importância ainda maior no Rio Grande do Norte porque a população idosa vem aumentando. Dados do Censo 2022 mostram que 10,5% dos moradores do Estado tinham 65 anos ou mais, contra 7,5% em 2010. No mesmo período, o índice de envelhecimento potiguar praticamente dobrou.
Apesar da maior procura por acordos, os dados não indicam que as dificuldades financeiras diminuíram. Em agosto, o Brasil tinha 83,98 milhões de consumidores negativados, e as pessoas com mais de 60 anos representavam 20,1% desse total. A renegociação aparece, portanto, como uma tentativa de reorganizar as contas em meio ao avanço das dívidas.
A tendência também foi registrada em nível nacional. Entre janeiro e agosto, brasileiros com 65 anos ou mais fizeram 849 mil acordos, alta de 23,1% em um ano. A Serasa informou ainda que sua plataforma reunia propostas de milhares de empresas, com descontos que podiam chegar a 90%, dependendo do credor e das condições de cada dívida.
Para especialistas, negociar os débitos é importante, mas não basta. Os consumidores também precisam avaliar se as parcelas cabem no orçamento para evitar novas pendências. Além das plataformas digitais, acordos passaram a ser oferecidos em agências dos Correios, alternativa que pode facilitar o acesso de idosos com dificuldade para usar serviços pela internet.
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