A imprensa estatal da Coreia do Norte divulgou, nesta terça-feira (20), imagens atribuídas a uma aparição pública do líder Kim Jong-un, desmentindo rumores que circularam intensamente nas redes sociais sobre sua suposta morte após uma hemorragia cerebral. Paralelamente às especulações digitais, o regime de Pyongyang elevou o tom de ameaças militares contra a Coreia do Sul.
De acordo com informações da agência sul-coreana Yonhap, a estatal Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA) veiculou registros do ditador durante visita à Exposição Nacional de Roupas e Calçados de 2026, realizada na segunda-feira (19). Nas fotografias, Kim aparece acompanhado da esposa, Ri Sol-ju, e da filha, Kim Ju-ae, enquanto inspeciona artigos da indústria leve local.
Por se tratar de registros fornecidos exclusivamente pelo próprio governo norte-coreano, não há verificação independente sobre a data exata em que as imagens foram capturadas. Contudo, o material busca rebater a onda de desinformação veiculada nas plataformas digitais.
Como surgiram os boatos
As especulações ganharam força no início da semana, impulsionadas por publicações na rede social X (antigo Twitter). As alegações, sem comprovação por órgãos internacionais ou de inteligência, sustentavam que Kim Jong-un teria sofrido um colapso vascular, sido transferido em segredo para um hospital em Pequim e morrido durante o tratamento.
Entre os difusores da narrativa está Xie Wanjun, dissidente chinês radicado nos Estados Unidos, conhecido por publicar alegações sem fundamentação. As postagens especulavam ainda que a irmã do ditador, Kim Yo-jong, teria assumido o comando do país e que tropas chinesas teriam sido mobilizadas, versões rebatidas por checagens da imprensa sul-coreana.
O sigilo absoluto mantido pelo regime de Pyongyang sobre o estado de saúde de seus governantes historicamente favorece a proliferação de boatos. Em 2020, rumores semelhantes sobre o falecimento do líder norte-coreano circularam mundialmente antes de sua reaparição em agendas oficiais.
Tensão militar real na fronteira
Enquanto os boatos virtuais tomavam a internet, a situação de segurança na península coreana registrou um agravamento real. Em comunicado oficial emitido na segunda-feira (19), Kim Yo-jong, uma das figuras centrais da cúpula do governo, classificou o cenário na fronteira com a Coreia do Sul como "extremamente instável".
A dirigente acusou as forças sul-coreanas de realizarem disparos de advertência contra soldados do Norte e anunciou que Pyongyang estuda posicionar armamentos táticos adicionais na região fronteiriça, além de retomar transmissões de propaganda por alto-falantes. O acirramento da retórica ocorre em meio ao reforço de minas terrestres e incidentes recorrentes na zona desmilitarizada que divide os dois países.
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