Mulheres assumem o volante sem descer do salto alto

Praticamente toda mulher tem um sapato alto no guarda-roupa reservado para uma ocasião especial. Para esses momentos e quando o salto passa a ser uma extensão das pernas femininas entra a questão da direção. Algumas trocam de sapato, outras preferem ficar descalças ao dirigir. Porém, a grande maioria, seja por não sentir incômodo ou pela comodidade de não tirar o calçado, assume o volante sem descer do salto.

As mulheres podem usar argumentos a favor, porém o Departamento de Trânsito (Detran-CE) orienta que salto alto e direção não combinam.

O coordenador da equipe de fiscalização, Ribamar Diniz, explica que não é proibido o salto alto em si, consta apenas no Artigo 252, inciso IV, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que é apenas considerado uma infração média "dirigir o veículo usando calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais".

É o caso das sandálias japonesas, muito usadas pelos jovens ultimamente, mesmo sem eles estarem a caminho da praia. Estas sim estão sujeitas a multa de R$ 85,00. Segundo Ribamar, o problema está na possibilidade delas soltarem dos pés, gerarem uma confusão ao motorista e fazê-lo apertar um pedal errado por engano, podendo causar até um grave acidente.

A estudante de Direito, Isis Andrade, por exemplo, não tira o salto aos fins de semana. Inicialmente, sentia um desconforto ao usar, mas a correria do dia e a preguiça em descalçar e calçar falaram mais alto e fizeram-na se acostumar. Ela, agora, não vê nenhum problema no salto e garante que nunca se prejudicou quando ao volante, porém a situação foi contrária com as sandálias japonesas por elas "engancharem" muito.
A fiscalização nesse quesito é feita de maneira discreta. Enquanto o agente aborda o carro na blitz para pedir os documentos, ele olha para o interior do carro, perto dos pedais, e observa se o condutor está ou não cometendo esse tipo de infração.

Não há como controlar ou repreender estando dentro do veículo, por ser mais fácil de esconder. As motos, no entanto, não tem como escapar. Por ser mais visível, aqueles que forem pegos sem o sapato adequado levam multa na hora.

Fugindo das recomendações

Saindo do quesito segurança, o salto alto, dependendo de sua altura, pode ser um fator prejudicial para a coluna. Não somente ao caminhar. Dirigir também pode comprometer de outras formas o corpo humano.
Há algumas variações médicas quanto a resposta, porém, de acordo com o ortopedista Leonardo Drumond, causa efeitos negativos principalmente a longo prazo. Isso se dá porque o salto "causa encurtamento da musculatura estabilizadora de pelve e, por consequência, também da coluna. E, vale ressaltar, quanto maior o salto, maior é o encurtamento".

Não há nenhuma restrição em dirigir descalço, aliás, muitas vezes essa é a única opção viável para aquelas que estão de salto, incomodam-se em dirigir assim, e não tem um sapato de step para usar nessa ocasião. A também estudante de Direito, Clarisse de Albuquerque, só dirige dessa forma. "Para mim já é difícil me equilibrar no salto, imagine dirigir, tira um pouco minha concentração", brinca.

Entretanto, há também um alerta médico para essa ocasião. "Para quem já apresenta encurtamento, dirigir descalço pode causar desconforto. Além de mudar o braço de alavanca do joelho, que pode ser corrigido com um adequado posicionamento do banco do carro", orienta Leonardo.

Fora das quatro rodas

Na hora de escolher o sapato, as mulheres devem levar em consideração outros quesitos externos a cor e ao modelo. O tamanho do salto, segundo Leonardo, devem ser de 2cm. "Eles ajudam a diminuir a pressão do calcâneo, sem sobrecarregar o antepé, ajudando a não causar encurtamentos", afirma.

A dica, para quando for passar muito tempo em cima do salto, é optar por uma plataforma ou um sapato com bico menos pontudo. Alternar os dias com salto e os com sapato baixo também é uma alternativa para descansar a coluna.


Fonte: Portal Perkons
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