Atrito, Adrência e aquaplanagem

Existem fenômenos que, embora entendidos e explicados por cientistas, apresentam dificuldades enormes para compreensão por cidadãos comuns, exatamente os que, em todo o mundo, são maioria absoluta. Tal dificuldade pode se originar da linguagem utilizada na definição: o cientista pode estar falando de uma forma que o cidadão comum não consegue entender. Seria desejável, portanto, que houvesse uma forma simples de explicá-los para que o homem comum, ao invés de ser prejudicado por ignorá-los, viesse a se beneficiar com o fato de passar a entendê-los. Entender os três fenômenos que compõem o título deste artigo é fundamental para todos os que conduzem veículos automotores.

Usaremos definições e exemplos bem simples para explicá-los de uma forma que todos entendam. Procure um balcão ou mesa onde haja um tampo de vidro. Encoste um dedo no vidro, com uma pressão de mais ou menos um quilo. Faça agora o dedo deslizar no vidro. Você sentira um repuxamento na pele: há uma certa dificuldade para deslizar o dedo no vidro. Aumente agora a pressão do dedo sobre o vidro para uns 5 kg e deslize novamente o dedo no vidro, mantendo a nova pressão. Você verá que á mais difícil escorregar o dedo no vidro: a resistência parece ter aumentado. Se V. aumentar a pressão do dedo sobre o vidro para valer (cuidado para não quebrá-lo) V. verá que, a partir de um certo ponto, não mais será possível esfregar o dedo no vidro.

Coloque agora uma moeda sobre o vidro, o seu dedo sobre a moeda e repita os deslizamentos com as diversas pressões. V. verá que, com a moeda, o deslizamento é muito mais fácil. Com estes simples exemplos já podemos chegar a importantes definições:
1. A diferença que V. sentiu ao arrastar primeiro o dedo diretamente e depois quando o colocou sobre a moeda chama-se diferença de ADERÊNCIA dos materiais uns aos outros: sua pele tem maior aderência ao vidro do que a moeda. Se ao invés da moeda V. pegar uma borracha destas de apagar erros escritos a lápis, provavelmente não conseguirá arrastá-la no vidro com 1 kg. de pressão: a ADERÊNCIA da borracha é maior que a do dedo.
2. Ao arrastarmos seja o dedo, o dedo sobre a moeda ou sobre a borracha, estamos criando ATRITO entre estes objetos e o vidro da mesa. Para um mesmo material, quanto maior for o peso em cima dele, maior a ADERÊNCIA e, na hora de arrastarmos, maior o ATRITO produzido.

Sabendo disso, vamos agora jogar água sobre o vidro, de forma que sobre ele fique uma fina camada. Ao passarmos o dedo ou a moeda, veremos que, com água, fica muito mais fácil o movimento: a água tirou uma parte da aderência, ocasionando uma diminuição do atrito quanto arrastamos. Já se passarmos a borracha com a água, veremos que a diferença existe, mas não é muito grande em relação à experiência da mesma borracha com o vidro seco: como tem melhor aderência, a borracha é menos afetada pela água e o atrito quando há o movimento continua bom.

Finalmente, vamos agora secar a água e passar um filme de graxa sobre o vidro: tanto o dedo como a moeda e também a borracha, agora, deslizam facilmente. A graxa, ao eliminar a aderência de todos os materiais, elimina o atrito quando há o movimento. Podemos, com estes princípios, mover o nosso automóvel sobre diversos pisos e ver onde é que a aderência e o atrito são úteis e onde são prejudiciais. Como regra geral, desejamos que a aderência dos pneus do carro aos diversos pisos seja a maior possível, para que, ao trafegarmos, as rodas jamais patinem ou derrapem, seja em arrancadas, curvas ou frenagens.

Se, por exemplo, o tempo fosse sempre bom, com sol e pisos secos e limpos, o pneu ideal para aderência máxima seria o pneu liso, sem quaisquer ranhuras: exatamente o pneu “careca”, aquele que a turma das corridas chama de “slick”. Infelizmente, V. sabe que, às vezes, em uma mesma viagem V. experimenta as 4 estações do ano: o dia pode começar seco e frio, depois acaba esquentando, terminando com uma chuva à tarde. Parece, portanto, que o pneu careca não é uma boa solução para todos os tipos de pisos e condições climáticas. Continuaremos na próxima semana.

 Carlos Bruns
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