Todo mundo sabe que a velocidade e o álcool são os causadores dos acidentes que destroem vidas, veículos e cargas.
A matança no Brasil é superior a qualquer guerra do planeta. Só se pode entender como uma absurda insensatez a posição de muita gente - políticos, autoridades e motoristas - que são contra a punição que desestimularia a velocidade e o álcool.
O Contran, arrependido da besteira que foi feita por inspiração de um ministro bom-moço, orienta agora que já não se avisem da presença de pardais. Enquanto isso, Estados relutam em seguir o bom exemplo do Rio de Janeiro que, pela aplicação da Lei Seca, está salvando mais vidas que a presença nas UPPs nos morros e favelas.
No Rio, quatro desembargadores do Tribunal de Justiça já perderam a habilitação por causa da Lei Seca. E o comandante da operação, ao ser convidado por Sérgio Cabral, respondeu que só aceitaria se o governador se comprometesse a não ligar para ele durante ações que capturaram motoristas alcoolizados. Esse exemplo deveria acontecer no país inteiro.
Na capital do Brasil. O diretor do Detran que implantou o exemplar respeito à faixa de pedestre mesmo antes do novo código, Luiz Miura, nunca recebeu telefonema de autoridade porque tinha o apoio do governador Cristovam Buarque para aplicar a lei em quem quer que fosse. Pena que, na mesma Brasília, numa interpretação safada do Código de Trânsito, o Legislativo local tenha aprovado lei do então deputado Luiz Estevão para avisar os transgressores da presença de pardal 300 metros antes.
O código fala em prevenir barreira física, obstáculo na via. Criou-se com isso a cultura de acelerar entre um pardal e outro, frear perto do pardal e voltar a acelerar depois do controle. Mais gasto de freio e de combustível. E sem coibir a alta velocidade. O que o código fala é em avisar que a via tem fiscalização eletrônica. Prevenir a 300 metros do pardal é ser cúmplice do infrator.É como decidir que quarteirões policiados devam ter um aviso aos assaltantes. Que vão assaltar nos quarteirões sem o aviso. Nos Estados Unidos, há o aviso: "esta estrada tem vigilância aérea". Pronto.
Ninguém arrisca afundar o pé no acelerador porque não sabe se há um balão, avião ou satélite em constante vigilância. Já vi um carro sair da estrada e capotar à minha frente e mal eu havia parado para socorrer, chegaram a polícia, os bombeiros e a ambulância. Pensei que estavam invisíveis e se materializaram no momento do acidente. Vigilância invisível seria uma boa ideia para fazer o motorista brasileiro pensar duas vezes antes de apertar o pé no fundo ou beber e dirigir.
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