HARLEM SHAKE, a mais nova tragédia digital


Arrancados os olhos de Édipo, faz-se o espetáculo. Se não fosse trágico, seria engraçado.

Guy Debord, o criador do conceito de “sociedade do espetáculo”, definiu o termo, que corresponde a uma fase específica do capitalismo, como o conjunto das relações sociais mediadas pelas imagens. 

(Não se preocupem, qualquer semelhança é mera coincidência!)

O Facebook - rede social que se sustenta através do compartilhamento de imagens - traz sua mais nova atração digital, que já está sendo vinculada em toda a internet: O Harlem Shake. 

A novidade, pasmem, é que o tal do Harlem Shake está conseguindo mobilizar diversos usuários das redes sociais para além das telas dos computadores em grandíssimos “evento humorísticos”. Não é incrível? 

Na cidade de Natal- RN, por exemplo, onde a saúde, educação, infraestrutura, se encontram em estado de calamidade, estamos nos unindo em nome do... humor! Quantas e quantas mobilização de lutas sociais, culturais, se fez nessa cidade sem que conseguíssemos unir a metade dessa gente? Pena! Tanto esforço na luta cotidiana para sermos superados por uma piadinha momentânea sem graça. 

Tragam mais trigo e narizes de palhaço, já que o povo desse planeta gosta é de pão e circo!
Rir para não chorar. 

Édipo, pelo menos, teve culpa. Arrancou seus próprios olhos para reparar seu erro e livrar todo o seu povo da maldição dos deuses. Teve um propósito nobre. Mas, o que dizer daqueles que os arrancam apenas porque é mais confortável para si, daqueles que os arrancam porque sabem que assim não podem mais chorar, só rir? 

Se não fosse trágico, seria engraçado. Mas, só se não fosse trágico!

  Phirtia Raianny
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