Caminhada marca as comemorações do Dia Internacional da Mulher em Natal

A programação contou com uma série de eventos ocorridos em vários pontos da capital neste domingo. Outras ações estão previstas para todo o mês de março

A Avenida João Medeiros Filho, na Zona Norte de Natal, teve a sua rotina modificada na manhã deste domingo (08). Homens e mulheres chegavam aos poucos nas primeiras horas do dia e se concentravam nas imediações do Nordestão, para dar início ao primeiro evento que marcaria as comemorações do Dia Internacional da Mulher na capital potiguar: a Caminhada da Mulher, promovida pelo Movimento Mulheres de Axé. Mães e pais de santo de vários terreiros de candomblé de Natal, paramentados com suas vestimentas, se reuniram em torno da ação, que chamaria a atenção da comunidade para a data.

No percurso até o Complexo Cultural, a chuva surgiu algumas vezes como ameaça de dispersão, mas o grupo persistiu até o seu destino, atraindo a atenção dos motoristas e pedestres que passavam pela Avenida. “Precisamos nos unir para que os direitos das mulheres sejam garantidos em nossa sociedade”, reforçava ao microfone Carla Pontes, presidente do Movimento Mulheres de Axé. Uma vez no Complexo Cultural, os participantes do evento tiveram oportunidade de realizar testes rápidos de HIV e Sífilis – graças a uma parceria com as Secretarias Estadual e Municipal de Saúde. Também foram distribuídos insumos de prevenção das DST/AIDS, além de aferição de pressão arterial e teste de glicemia. No local também foi realizada uma feira com o artesanato produzido pela comunidade.

A programação em homenagem ao Dia Internacional da Mulher em Natal é coordenada pela Secretaria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres (Semul) em parceria com várias secretarias municipais, estaduais, movimentos da sociedade civil, associações comunitárias, conselhos e poder judiciário. 

Aparecida França, secretária da Semul aproveitou a ocasião para reforçar a importância da busca pela equidade de gênero: “Não é justo que, além de trabalhar fora, continuem sendo atribuições exclusivas da mulher ainda hoje, as tarefas domésticas como lavar, passar, cozinhar, cuidar da casa e dos filhos. É preciso que essas responsabilidades sejam divididas com o parceiro. Esse é apenas um dos cenários que precisam mudar para que nossa sociedade seja minimamente justa, fora o agravante de a mulher ainda ser vítima de violência doméstica. Não podemos permitir mais isso”.

Também neste domingo, dentro da programação do Dia Internacional da Mulher, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), por meio da Coordenadoria da Defesa da Mulher e das Minorias (CODIMM), promoveu uma ação de cidadania, na ala feminina no Complexo Penal João Chaves, localizado também na Zona Norte de Natal. A Coordenadoria de Identificação do Instituto Técnico e Científico de Polícia do RN (ITEP-RN) esteve presente no local emitindo carteiras de identidades para as apenadas que não possuem o documento.

“A nossa ideia é que possamos dar continuidade a esse trabalho durante o ano inteiro, pois todas as ações que fizermos aqui contribuem no sentido de elevar a autoestima dessas mulheres”, aponta a coordenadora de Defesa da Mulher e das Minorias, Erlândia Moreira Passos.

A programação segue nesta segunda-feira (09) com uma blitz educativa – sobre a valorização da mulher no trânsito – que a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) planeja para a Praça Gentil Ferreira no Alecrim; às 10h a Assembleia Legislativa realiza sessão solene em homenagem às mulheres; e a Secretaria Municipal de Administração (Semad), junto com a Controladoria Geral do Município (CGM), dá início, a partir das 9h na sede da Semad, ao Seminário para as Servidoras Públicas Municipais, onde serão abordos temas como assédio moral no ambiente trabalho. À tarde, às 16h, acontece a entrega da Medalha Nísia Floresta pelo Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, no Salão Nobre da Prefeitura.

O objetivo da comemoração do Dia Internacional da Mulher e desta série de eventos para marcar a data no município de Natal, de acordo com a secretária da Semul, Aparecida França, “é chamar a atenção da sociedade para as diversas desigualdades de gênero impostas às mulheres, como salários inferiores em relação aos homens que ocupam os mesmos postos de trabalho e, especialmente, o quadro de violência a que muitas ainda são submetidas, chegando, em muitos casos, a resultar em suas mortes”.

Sobre o 08 de março
No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Elas ocuparam a fábrica para reivindicar melhores condições de trabalho, como redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com violência e as mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas em decorrência da repressão.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem às mulheres que morreram na fábrica. Em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU.
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