Número de brasileiros na pobreza cai e 8,6 milhões deixam a miséria entre 2023 e 2024, diz IBGE

Nordeste lidera redução da pobreza; Brasil tem melhora geral. Foto: Reprodução


A proporção de brasileiros vivendo na pobreza caiu de 27,3% em 2023 para 23,1% em 2024, segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE. A queda representa 8,6 milhões de pessoas que saíram dessa condição e marca o terceiro recuo anual consecutivo após o pico de 36,8% registrado em 2021, durante a pandemia. A extrema pobreza também diminuiu, passando de 4,4% para 3,5%, o equivalente a 1,9 milhão de pessoas a menos nessa situação.

O estudo mostra que, sem programas sociais como o Bolsa Família, a realidade seria bem pior: a extrema pobreza subiria para 10% da população, quase o triplo do índice registrado, e a pobreza chegaria a 28,7%. O IBGE destaca que a manutenção dos valores do Bolsa Família acima do nível pré-pandemia e a melhora no mercado de trabalho foram essenciais para a redução observada.

O Nordeste foi a região que mais reduziu a pobreza, passando de 47,2% para 39,4% em um ano. Já o Sul teve o menor índice do país, com 11,2%. Apesar da melhora geral, o levantamento aponta desigualdades importantes: mulheres, pretos e pardos seguem mais expostos à pobreza. Entre mulheres pretas ou pardas, 30,4% estavam abaixo da linha de pobreza em 2024, enquanto entre homens brancos o índice foi de 14,7%.

A pesquisa mostra ainda que a previdência social tem papel decisivo entre os idosos. Apenas 1,9% deles estavam em extrema pobreza, mas, sem aposentadorias e pensões, esse índice saltaria para 35,2%. A desigualdade também continua elevada. Em 2022, os 20% mais ricos recebiam 11 vezes mais que os 20% mais pobres, o segundo maior nível entre 40 países analisados pela OCDE.

O Brasil também lidera outro ranking negativo: o de trabalhadores pobres. Entre os países da OCDE, foi o que apresentou a maior proporção, com 16,7%. Atualmente, 12 milhões de trabalhadores brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza, considerando apenas quem está ocupado. A taxa é ainda maior entre desocupados, chegando a 47,6%.

Trabalhadores sem carteira assinada e por conta própria são os mais afetados. A pobreza também é mais comum em atividades como agropecuária e serviços domésticos, enquanto setores como administração pública e saúde registram os índices mais baixos.

A Síntese de Indicadores Sociais reúne dados sobre condições de vida, desigualdade, renda e mercado de trabalho no país e, nesta edição, também apresenta detalhes sobre trabalhadores pobres e o perfil de idosos no mercado de trabalho.

No Rio Grande do Norte

Em 2024, o Rio Grande do Norte registrou queda histórica na pobreza, atingindo 33,5% da população, um nível abaixo de 40% pela primeira vez desde 2012. Em apenas um ano, houve redução de 10,3 pontos percentuais, e na última década a queda acumulada foi de 14,6 pontos. A extrema pobreza também recuou, passando de 6,4% para 5,2%.

Na Região Metropolitana de Natal, a pobreza caiu de 40,1% para 25,7%, enquanto a extrema pobreza manteve estabilidade (5% para 5,1%). Somente na cidade de Natal, a proporção de pessoas pobres caiu para 21,7%, e a de extremamente pobres para 3,8%.

Em comparação com o Nordeste, o RN segue com os menores índices da região, embora ainda acima da média nacional, que registrou 23,1% de pobres e 3,5% de extremamente pobres. Entre 2023 e 2024, no país, 8,6 milhões de pessoas deixaram a pobreza, incluindo 1,9 milhão que saiu da extrema pobreza.

O IBGE destaca que os programas de transferência de renda foram fundamentais para esses resultados. Sem os benefícios, a extrema pobreza no Estado teria atingido 16,2%, quase o triplo do atual, e a taxa de pobreza geral teria chegado a 40,4%.

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