Saiba a importância de denunciar a violência contra a mulher e conheça os canais de apoio

Registros de denúncias ajudam autoridades a mapear a violência contra a mulher e orientar políticas públicas - Foto: Marcos Santos/USP

A denúncia de situações de violência contra a mulher é fundamental para interromper ciclos de abuso, acionar a rede de proteção e responsabilizar agressores, alertam autoridades e especialistas. No Brasil, o sistema de atendimento à vítima conta com diversos canais públicos, gratuitos e disponíveis 24 horas, que permitem registrar ocorrências e obter orientação sobre direitos e serviços especializados.

A Central de Atendimento à Mulher, acessível pelo número 180, recebe denúncias de violência doméstica, familiar ou de gênero e fornece informações sobre serviços próximos à vítima, como delegacias especializadas, casas de apoio e centros de referência. 

O serviço também pode ser acionado por meio do WhatsApp: (61) 9610-0180 ou pelo e-mail: [email protected]. Esses canais atendem diariamente, inclusive, em feriados, de forma gratuita e sigilosa.

Além disso, a população pode recorrer ao Disque Direitos Humanos (Disque 100), para comunicar violações de direitos humanos, incluindo, a violência contra mulheres. Em situações de emergência, a orientação é ligar imediatamente para a Polícia Militar. por meio do 190.

A denúncia pode ser feita tanto pela própria vítima, quanto por terceiros, que testemunhem ou suspeitem de violência e pode ser anônima, o que ajuda a superar barreiras como medo ou vergonha que, segundo especialistas, contribuem para a subnotificação desses casos.

Registros de denúncias também ajudam as autoridades a mapear a violência contra a mulher e orientar políticas públicas, bem como ampliar o acesso a medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, legislação que prevê mecanismos de proteção à vítima e punição ao agressor.

Violência em números

Os dados do Ligue 180 de janeiro a julho de 2025 revelam que a maior parte das mulheres vítimas de violências é heterossexual, com 49.674 denúncias (57,7%); e negra, com 38.068 denúncias (44,3%).

Em 40.933 casos (47,58%), o suspeito era parceiro ou ex-parceiro da mulher vítima. Ainda foram ainda registrados, no período, 4.588 casos (5,3%) de violência cometida por vizinhos, 9.883 mantinham outros tipos de relação com a vítima e em outras 7.589 (8,8%) ocorrências, o vínculo não foi declarado.

Em relação às pessoas apontadas como agressores, a maioria dos identificados nas denúncias são heterossexuais (42.320 suspeitos, o que corresponde a 49,2%) e pessoas negras (35.586 41,4%), seguidas por 27.587 denúncias (32%) com suspeitos de praticar a agressão classificados como pessoas brancas. O Ministério das Mulheres evidencia o impacto da violência de gênero agravado pela questão racial.

Sobre o tipo de violência, entre as principais relatadas no contexto de violência doméstica e familiar e relações íntimas de afeto, destacam-se 35.665 casos de violência física (41,4%); 24.021 de violência psicológica (27,9%) e 3.085 de violência sexual (3,6%).

Fora do alcance da lei Maria da Penha, a central também registrou 9.866 casos de violência psicológica em outros contextos e 4.566 denúncias de outras formas de violência.

Quando o filtro do painel é para o cenário da violência, a maioria das denúncias são de ocorrências dentro da residência da vítima, com 35.063 registros (40,7%). Outros 24.238 casos (28,2%) foram em domicílios compartilhados entre a vítima e o suspeito. Há também registro de 4.722 denúncias (5,5%) de violência cometida na casa do suspeito.

De acordo com o Painel de Dados do Ligue 180, muitas mulheres convivem com a violência por longos períodos antes de buscar ajuda. Entre as denúncias recebidas, 21,9% (18.871) são referentes a violências iniciadas há mais de um ano; em 9% das denúncias (7.715) as violências começaram há mais de cinco anos. Em 8,6% (7.442), tiveram início há mais de dez anos.
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