Brasil concentra maior número de assassinatos de pessoas trans no mundo, aponta levantamento

Nordeste lidera número de mortes de pessoas trans em 2025


Mesmo com avanços pontuais, o Brasil segue no topo do ranking mundial de assassinatos de pessoas transexuais e travestis. Em 2025, o país registrou 80 mortes, de acordo com levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado durante as ações do Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 26 de janeiro.

O número representa uma queda de 34% em relação a 2024, quando foram contabilizados 122 assassinatos. Ainda assim, a Antra alerta que a redução não significa menos violência. O dossiê aponta crescimento nas tentativas de homicídio, indicando que a população trans continua exposta a um cenário de risco.

Entre 2017 e 2025, São Paulo lidera o número de assassinatos de pessoas trans e travestis, com 155 casos, seguido por Ceará (115), Bahia (104), Minas Gerais (100), Rio de Janeiro (96) e Pernambuco (83). Segundo a entidade, os crimes se concentram principalmente em grandes centros urbanos, como as capitais desses estados.

Em 2025, o Nordeste foi a região mais violenta, com 38 mortes. O perfil das vítimas permanece semelhante ao dos anos anteriores: mulheres trans e travestis jovens, entre 18 e 35 anos, em sua maioria negras e em situação de vulnerabilidade social.

O levantamento também mostra a impunidade. Mais de 95% dos assassinatos de pessoas trans no Brasil não são solucionados, e menos de 5% resultam em punição, segundo a Antra. Para a entidade, os dados refletem a transfobia estrutural e a falta de políticas públicas efetivas de proteção.



* Ana Bezerra/ Dados (ANTRA/Tv Brasil)
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