
(Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)
Pouca gente sabe, mas a Venezuela tem uma dívida bilionária com o Brasil que já passa de R$ 10,3 bilhões, e o valor continua crescendo. O país não paga o que deve desde 2018, e só os juros acumulados já somam mais de R$ 2,7 bilhões.
A dívida é resultado direto de uma política adotada nos anos 2000 e 2010: o financiamento, via BNDES, de grandes obras de infraestrutura em países aliados da América Latina e da África. No caso venezuelano, os recursos bancaram projetos como o metrô de Caracas, estaleiros e obras industriais, executadas por empreiteiras brasileiras.
Esses empréstimos tinham uma garantia chamada Seguro de Crédito à Exportação, operado pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE). Na prática, isso significa que, se o país tomador não pagasse, o governo brasileiro indenizaria os bancos. Foi exatamente o que aconteceu a partir de 2018, quando a Venezuela deixou de honrar as parcelas.
Desde então, o Tesouro Nacional assumiu a dívida, que passou a crescer com a incidência de juros e multas. Só os juros de mora já somam mais de R$ 2,7 bilhões, e o valor aumenta continuamente, estimado em centenas de milhões de reais por mês.
O Brasil até tenta recuperar o dinheiro por meios diplomáticos e por fóruns internacionais como o Clube de Paris, mas o processo é lento e depende de disposição política e capacidade financeira da Venezuela, hoje em crise profunda. A inadimplência também pesa nas relações entre os dois países e já foi citada como um dos fatores para o veto brasileiro à entrada da Venezuela no Brics.
Enquanto não há acordo, a dívida segue como um exemplo de como financiamentos internacionais com garantia pública podem acabar recaindo diretamente sobre o bolso do contribuinte brasileiro.
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