Foto: Aline Massuca/Metrópoles
O Ministério da Saúde incinerou mais de R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos em 2025. Do total, 17,1% — o equivalente a R$ 18,5 milhões — ainda estavam dentro do prazo de validade. Embora o montante represente queda em relação aos anos anteriores, segue acima do nível registrado antes da pandemia de Covid-19.
Entre os itens descartados estão medicamentos de alto custo, como anticorpos monoclonais usados no tratamento de câncer, vacinas contra a dengue e insumos adquiridos por decisão judicial. Há registros de produtos com validade até 2050 que também foram incinerados. É o caso de bombas de infusão hospitalar e kits de monitoramento de glicose comprados em 2019. Medicamentos como blinatumomabe e brentuximabe vedotina, indicados para tratamento de câncer, também constam na lista.
Nos três primeiros anos do atual governo, o valor total de itens descartados chega a R$ 2 bilhões. O pico ocorreu em 2023, com R$ 1,3 bilhão em perdas. No governo anterior, o total incinerado ao longo de todo o mandato foi de R$ 601,5 milhões.
Após auditoria, a Controladoria-Geral da União (CGU) apontou falhas na gestão de estoques e recomendou melhorias no controle, logística e monitoramento. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que as recomendações foram cumpridas ou estão em fase final de execução e negou desperdício, alegando que há ressarcimento em casos de não conformidade técnica.
Segundo a pasta, a taxa de incineração em 2025 correspondeu a 1,48% do estoque total, com meta de redução para 1% em 2026. O governo atribui os descartes a fatores como judicialização, mudanças em protocolos médicos, variações epidemiológicas e exigências sanitárias que impedem o reaproveitamento de medicamentos devolvidos.