Banqueiro Daniel Vorcaro chega a presídio federal em Brasília após terceira transferência


       Vorcaro ficará isolado por 20 dias em uma cela de nove metros quadrados - Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, desembarcou em Brasília na tarde desta sexta-feira (6), onde permanecerá preso após ser transferido do presídio de Potim, no interior de São Paulo, para a Penitenciária Federal, no Distrito Federal.

Vorcaro deixou o interior paulista por volta das 11h30 e foi escoltado até a capital federal pela Polícia Penal Federal, em um avião de pequeno porte da PF (Polícia Federal).

Esta foi a terceira transferência do banqueiro desde que teve a prisão preventiva decretada pela segunda vez, na quarta-feira (4). Antes de chegar ao sistema penitenciário federal, ele passou pelo presídio de Potim, pela carceragem da PF e pelo Centro de Detenção Provisória de Guarulhos.

A Penitenciária Federal em Brasília, definida para abrigar Vorcaro, tem 208 celas. Os espaços são individuais e possuem cerca de seis metros quadrados. Antes de ser integrado ao regime normal da unidade, o banqueiro ficará isolado por 20 dias em uma cela de nove metros quadrados, durante o período de adaptação.

A transferência foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido da Polícia Federal. Segundo a decisão, a medida busca preservar a integridade física do investigado e garantir maior controle sobre sua custódia.

A PF argumentou que Vorcaro teria capacidade de articulação e influência sobre diferentes atores do setor público e privado, o que poderia, em tese, interferir na regular condução das investigações ou no cumprimento de decisões judiciais.

Vorcaro foi preso novamente por determinação de Mendonça após investigação da PF apontar indícios da existência de uma estrutura organizada ligada ao Banco Master para a prática de crimes financeiros, corrupção de agentes públicos e monitoramento de críticos, incluindo jornalistas.

De acordo com os investigadores, o empresário também teria feito uma ofensiva contra envolvidos e testemunhas ligadas ao caso. A PF ainda apura se Vorcaro pagava propina a políticos do Congresso Nacional.

Nesta semana, parte do conteúdo coletado pela PF no celular do banqueiro veio a público e foi divulgada por veículos de imprensa, incluindo conversas pessoais com uma ex-namorada.

A defesa de Vorcaro informou nesta sexta-feira que pediu ao STF a abertura de investigação para apurar “a origem dos sucessivos vazamentos de informações sigilosas provenientes dos telefones celulares apreendidos”.
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