| A Hapvida perdeu cerca de 140 mil beneficiáriosFoto: Divulgação/Hapvida |
De queridinha do mercado a empresa sob pressão, a Hapvida enfrenta um momento de desconfiança após divulgar resultados abaixo do esperado no 4º trimestre de 2025. O desempenho fraco derrubou as ações da companhia, que caíram 10,84% após o balanço.
O lucro por ação foi de US$ 0,24, bem abaixo dos US$ 0,5586 projetados pelo mercado, uma diferença de 57%. A receita também ficou aquém das expectativas, somando US$ 7,92 bilhões frente aos US$ 7,99 bilhões previstos.
Os números refletem os desafios enfrentados pela empresa após a fusão com a NotreDame Intermédica, que trouxe aumento de custos e dificuldades na integração das operações.
No período, a Hapvida perdeu cerca de 140 mil beneficiários, impactada por altos índices de cancelamento. O cenário foi agravado pelo aumento da sinistralidade, que chegou a 75,5%, além de multas regulatórias e custos com litígios.
Entre os principais indicadores:
- Receita: US$ 7,92 bilhões (0,88% abaixo do esperado)
- Lucro por ação: US$ 0,24 (57% abaixo da previsão)
- EBITDA ajustado: R$ 714 milhões, pressionado por custos elevados
- Despesas administrativas: 6,1% da receita
Apesar dos resultados negativos, a empresa ainda mantém uma posição de liquidez considerada sólida. Ainda assim, o desempenho marca uma desaceleração relevante e reforça os desafios para recuperar a confiança dos investidores e equilibrar a operação após a fusão.
Para os próximos meses, a Hapvida terá como principais desafios reduzir o cancelamento de planos e controlar os custos da operação. A empresa pretende investir na melhoria da estrutura e ampliar o portfólio de serviços para tentar retomar o crescimento, mas o cenário ainda é visto com cautela diante das dificuldades operacionais e da concorrência.
O CEO Jorge Pinheiro afirmou que, apesar do bom desempenho nas vendas, o alto número de cancelamentos preocupa e precisa ser enfrentado com urgência. Segundo ele, a prioridade será reforçar estratégias de retenção de clientes e aumentar a eficiência operacional, mantendo ao mesmo tempo uma posição de caixa sólida para sustentar novos investimentos.