A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) confirmou nesta quinta-feira (5) um novo caso de contaminação pelo superfungo Candida auris em um paciente internado no Hospital Central Coronel Pedro Germano, conhecido como Hospital da Polícia Militar, em Natal. Este é o segundo registro da infecção no estado em 2026.
A secretaria informou que, por questões de sigilo, não foram divulgados dados como idade ou sexo do paciente. O primeiro caso deste ano também foi identificado na mesma unidade hospitalar, cerca de um mês atrás.
O que é o Candida auris
O Candida auris é considerado um fungo emergente e tem sido apontado por especialistas como uma ameaça crescente à saúde pública mundial. O microrganismo foi identificado pela primeira vez causando infecção em humanos em 2009, no Japão, em um caso de infecção no ouvido. Desde então, já foi registrado em praticamente todos os continentes, com exceção da Antártica.
Esse fungo é classificado como oportunista, afetando principalmente pessoas com o sistema imunológico comprometido, como pacientes hospitalizados ou em tratamento intensivo.
Resistência a medicamentos
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde do Brasil, algumas cepas do fungo apresentam resistência às três principais classes de medicamentos antifúngicos, entre eles o Fluconazol, a Anfotericina B e as equinocandinas.
Essa característica torna o tratamento das infecções mais complexo e exige protocolos rigorosos de controle em ambientes hospitalares, já que o microrganismo pode se disseminar em superfícies e equipamentos.
Outro desafio é o diagnóstico. A identificação do fungo exige métodos laboratoriais específicos, pois ele pode ser confundido com outras leveduras, como Candida haemulonii e Saccharomyces cerevisiae.
Estudos indicam que até 90% das amostras identificadas de Candida auris apresentam resistência a pelo menos um antifúngico, motivo pelo qual o microrganismo passou a ser classificado como “superfungo”. Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam a importância da vigilância epidemiológica e do monitoramento contínuo para evitar surtos em unidades de saúde.
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