O preço do chocolate subiu 24,77% nos últimos 12 meses no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A variação aparece no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, e coloca o produto entre os alimentos com maior alta no período.
O avanço é bem superior à inflação geral acumulada e ocorre em um momento estratégico para o varejo: a proximidade da Páscoa, quando tradicionalmente aumenta a procura por ovos e outros itens à base de chocolate. O encarecimento já é percebido nas prateleiras, com redução de promoções, embalagens menores e preços mais elevados em comparação ao ano passado.
A principal razão para a alta está na disparada das cotações do cacau no mercado internacional. Os dois maiores produtores mundiais, Costa do Marfim e Gana, enfrentaram problemas climáticos, doenças nas lavouras e queda na produtividade, o que reduziu a oferta global do grão. Com menos produto disponível, os preços atingiram níveis recordes nas bolsas internacionais.
Mesmo sendo produtor, o Brasil não é autossuficiente em todas as etapas da cadeia e depende da importação de parte da matéria-prima. Em 2025, o país importou mais de 42 mil toneladas de amêndoas de cacau e volume semelhante de derivados, enquanto exportou cerca de 53 mil toneladas de produtos processados. O cenário evidencia que a indústria nacional está inserida em um mercado globalizado e sensível às oscilações externas.
Além da alta do cacau, outros fatores pressionam os custos das fabricantes, como aumento de despesas com energia, embalagens, transporte e crédito. Diante disso, empresas têm buscado alternativas para preservar margens, como redução do peso dos produtos, reformulação de linhas e ampliação do portfólio com itens de menor teor de cacau.
Especialistas avaliam que, caso a produção africana se recupere na próxima safra, pode haver acomodação nos preços ao longo do ano. No curto prazo, porém, a tendência é de manutenção dos valores elevados, mantendo o chocolate entre os vilões do orçamento das famílias brasileiras.
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