| Poze do Rodo, Mc Ryan e Raphael Sousa (dono da Choquei) - Foto: Reprodução |
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta sexta-feira (24) o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Raphael Sousa Oliveira, dono da página de fofocas “Choquei”, e manteve a prisão do investigado no âmbito da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal (PF).
A decisão foi tomada pelo ministro Messod Azulay Neto, que entendeu que o pedido perdeu o objeto após uma nova ordem de prisão decretada pela Justiça Federal. Segundo o ministro, a análise deve ser feita inicialmente pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), onde o caso tramita, para evitar supressão de instância.
Raphael havia sido preso temporariamente no dia 15, junto com outros investigados, entre eles os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. Na quinta-feira (23), o próprio STJ havia concedido habeas corpus e determinado a soltura dos presos, ao considerar irregular o prazo da prisão temporária, que havia sido fixado em 30 dias, embora o pedido inicial da Polícia Federal previsse cinco.
A decisão, no entanto, foi revertida poucas horas depois. A PF solicitou a conversão das prisões em preventivas, alegando risco de continuidade das atividades criminosas e possível interferência nas investigações. O pedido foi aceito pelo juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, que determinou a nova prisão.
Na decisão, o magistrado afirmou que a medida era necessária para garantir o andamento das investigações e destacou que a fase investigativa ainda não está concluída.
A prisão preventiva não tem prazo definido e pode ser mantida enquanto houver risco à ordem pública ou ao andamento do processo, ao contrário da prisão temporária, que possui duração limitada e é usada em fases iniciais da investigação.
Com a nova ordem, a defesa voltou ao STJ, mas o habeas corpus foi novamente negado. O ministro Messod Azulay Neto destacou que não poderia analisar o mérito da preventiva neste momento.
As defesas de MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e Raphael Sousa Oliveira negam qualquer envolvimento com organização criminosa ou lavagem de dinheiro.
Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo investiga um esquema suspeito de movimentar cerca de R$ 1,6 bilhão, com possível ligação ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações apontam o uso de plataformas de apostas online, além de empresas de fachada, criptomoedas e rifas clandestinas para lavagem de dinheiro.
A operação foi deflagrada pela Polícia Federal com cerca de 200 agentes, que cumpriram 90 mandados judiciais em diversos estados. Também houve o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 2,26 bilhões.
No total, 39 mandados de prisão temporária foram expedidos, dos quais 33 foram cumpridos. Após a análise inicial, parte dos investigados teve a prisão convertida em preventiva.
As investigações seguem em andamento, com análise de celulares, documentos e movimentações financeiras dos suspeitos.