Mãe diz que filho com alergia foi impedido de entrar em escola particular de Natal; colégio rebate denúncia

Mãe diz que filho com alergia foi barrado na porta de escola em Natal - Foto: Reprodução

Uma mãe denunciou ao Via Certa que seu filho, de 11 anos, aluno matriculado no Colégio CEI Ponta Negra, na zona Sul de Natal, foi impedido de entrar na unidade e fazer uma prova na última terça-feira (14). (Veja a resposta do CEI no final da matéria)

Segundo a denúncia, o menino tem sinusite e rinite. Na segunda (13) para terça-feira (14), ele sentiu dor de cabeça e teve inflamação nas fossas nasais, além de olhos e nariz inchados. A mãe entrou em contato com o médico e medicou o filho.

Conforme a denúncia, por o estudante não ter dormido bem, por causa da medicação, a mãe decidiu levá-lo apenas no horário da prova, que começava na terça-feira, por volta das 10h15. Ela deixou o menino na secretaria da escola e foi trabalhar.

Cerca de 30 minutos depois, a mãe foi acionada pela escola. A instituição informou que o aluno não poderia entrar, nem fazer a prova. O motivo, segundo a mãe, seria porque ele chegou após às 8h05 da manhã, uma regra, que ela afirma nunca ter visto no contrato de matrícula.

O menino não fez a prova. Ele ficou sentado em um banco na secretaria da escola por duas horas e meia, esperando a mãe voltar do trabalho. Segundo a denunciante, a criança foi constrangida, porque não pôde sair da secretaria, nem circular pelas áreas comuns da escola.

Na terça-feira, a mãe pediu uma reunião com a coordenadora para essa quinta-feira (16), às 10h. A escola confirmou o horário por meio de mensagem. No dia marcado, ela chegou às 9h com o filho, mas foi impedida, mais uma vez, de passar pela catraca. A reunião, portanto, não aconteceu.

Segundo a mãe, a coordenadora não apareceu para a reunião. Ela gravou com o celular o momento em que pediu ao porteiro para abrir a catraca e deixar ela e o filho entrarem. O porteiro respondeu que só poderia abrir com autorização da coordenação.

A mãe afirma que é a responsável pedagógica do filho. O pai da criança é o responsável financeiro. Segundo ela, a diretora ligou para o pai dizendo que ela estava descontrolada na frente da escola, o que a mãe nega, afirmando ter provas de que estava calma.

O pai chegou à escola com a madrasta do menino e conseguiu entrar para uma reunião com a coordenadora. A mãe e o filho permaneceram do lado de fora.

A Polícia Militar foi chamada. Segundo a denúncia, os policiais obrigaram a diretora e a coordenadora a descerem para falar com a mãe.

"Elas desceram gritando comigo, o policial mandou elas baixarem o tom da voz e disse que precisavam me pedir desculpas e entrar em um acordo para que o meu filho refizesse as provas sem o pagamento", disse.

Um acordo foi aceito e as provas perdidas na terça-feira passada serão reaplicadas na próxima semana, sem custo adicional. No entanto, a mãe afirma que a escola não pediu desculpas pelo tratamento dado ao filho, nem pela reclusão na secretaria, nem pelo impedimento de entrar e fazer a prova.

O outro lado

O Via Certa procurou o Colégio CEI Ponta Negra para solicitar um posicionamento oficial sobre os fatos narrados na denúncia. 

Por meio de nota, o Colégio CEI - Unidade Roberto Freire, informou na tarde desta quinta-feira (16), que os pais e/ou responsáveis são, ordinariamente, informados sobre as normas da escola – horários, acessos, avaliações, reposições e situações excepcionais, por meio do regimento – encaminhado por escrito e ressaltado nas reuniões pedagógicas presenciais, cabendo às famílias conhecerem e respeitarem as definições ali postas, como colaboração ao bom funcionamento no ambiente escolar.

Conforme a nota, no dia em que não foi autorizado a acessar a sala de aula, de fato, o aluno chegou à escola somente no horário da prova – e não no horário regular de aula.

Segundo a nota, "a tentativa frustrada de reunião, que seria hoje, às 10h da manhã, se deu em razão da exaltação da responsável pelo aluno, que chegou acompanhada do mesmo (e este novamente não chegou no horário regular de aula), já utilizando de gravação de vídeo com aparelho celular, destratando vários colaboradores, inclusive, impactando negativamente outras famílias em atendimento ou proximidades. Diante da situação constrangedora e do clima de alta hostilidade, a escola fez contato com a Ronda Escolar, para que acompanhasse o caso", diz.

Conforma a nota, a responsável, por sua vez, alegou que chamaria um policial com quem tem relação de amizade, e este compareceu, fardado, inclusive, atuando para tranquilizar o ânimo da mãe, que mencionava fazer contato com a imprensa para ‘denúncia’.

E por fim, a Direção da Unidade, após verificar e acompanhar o desenrolar de tudo, considerou imperativo efetuar contato com o pai do aluno, visto que a criança estava em clara situação de exposição.
Postagem Anterior Próxima Postagem

نموذج الاتصال