A apuração que envolve a administração do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), nas eleições de 2024 teve novos desdobramentos. O Ministério Público Eleitoral recorreu à Justiça para solicitar o acesso a movimentações financeiras, em uma tentativa de aprofundar a investigação sobre possíveis práticas irregulares ligadas ao uso de poder político e recursos econômicos durante a campanha de reeleição.
Segundo o Ministério Público, foram identificadas divergências nas informações financeiras vinculadas à gestão de Allyson Bezerra, o que dificulta a compreensão sobre como os recursos públicos teriam sido utilizados. Diante desse cenário, o órgão também propôs, além do acesso aos dados bancários, a realização de uma análise técnica especializada para mapear e reconstituir a movimentação dos valores.
O documento foi incorporado na última sexta-feira (17) a um processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte. A iniciativa é vista como um passo importante para aprofundar a investigação sobre possíveis irregularidades na aplicação de recursos com reflexos no cenário eleitoral.
O parecer também estabelece limites claros para o escopo da apuração. O Ministério Público afastou a necessidade de exames técnicos sobre peças de campanha ou métricas de redes sociais, sob o argumento de que essas informações podem ser verificadas diretamente nos documentos já juntados ao processo.
Em contrapartida, o órgão defende que a elucidação dos fatos exige a análise das transações financeiras, considerada indispensável para identificar com precisão a procedência e a aplicação dos recursos investigados.
A defesa de Allyson Bezerra alega a ausência de irregularidades, sustentando que as divergências identificadas decorrem de impropriedades meramente administrativas e inconsistências de ordem contábil. Acrescenta que reestruturações no orçamento municipal teriam resultado na dispersão dos lançamentos financeiros, dificultando a sistematização e a análise integrada das informações.