| Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil |
A Petrobras aumentou em cerca de 55% o preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras a partir desta terça-feira (1º). O reajuste é atribuído à alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O aumento também foi citado pelo Grupo Abra, controlador da Gol, que informou a aplicação do novo preço neste início de mês. A Petrobras realiza ajustes no QAV mensalmente, conforme previsto em contrato.
A alta amplia a pressão sobre o setor aéreo brasileiro em um momento delicado. Gol e Azul, duas das principais companhias do país, ainda enfrentam processos de reestruturação de dívidas.
Com custos mais altos, as empresas tendem a repassar parte do impacto para o preço das passagens ou revisar suas projeções financeiras.
O diretor financeiro da Abra, Manuel Irarrazaval, afirmou que o reajuste será “moderado” em relação à alta do petróleo no mercado internacional. Segundo ele, a política de reajustes mensais ajuda as companhias a lidar melhor com as variações de custos.
Ainda assim, o executivo disse que aumentos no preço do combustível podem levar à elevação das tarifas. De acordo com ele, uma alta de US$ 1 por galão no querosene pode exigir um reajuste de cerca de 10% nas passagens.
O grupo Abra também controla a companhia aérea Avianca.
A Azul informou recentemente que já elevou o preço médio das passagens em mais de 20% em três semanas. A empresa também anunciou que pretende reduzir o ritmo de crescimento da operação para enfrentar o aumento dos custos com combustível.
Em março, o reajuste do QAV já havia sido de 9,4%. Com o novo aumento, cresce o impacto sobre os custos das empresas, já que o combustível representa mais de 30% das despesas operacionais do setor.
Apesar da alta recente, o preço do petróleo tipo Brent registrava leve queda nesta quarta-feira, sendo cotado a cerca de US$ 102, após ter fechado o dia anterior acima de US$ 103. Ainda assim, desde o início do conflito no Oriente Médio, o barril saiu de cerca de US$ 60 para mais de US$ 115, acumulando forte valorização.