Uma abordagem policial terminou com a morte da ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na madrugada da última sexta-feira (3), no bairro Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. A mulher foi atingida por um tiro no peito durante a ação.
O caso foi registrado pela câmera corporal de um dos policiais e é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Polícia Militar. Os dois agentes envolvidos foram afastados das atividades operacionais.
A autora do disparo é a soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, que estava em fase final de estágio supervisionado na Polícia Militar. Aprovada em concurso em 2024, ela atuava em patrulhamento havia cerca de três meses.
No momento da ocorrência, Yasmin não utilizava câmera corporal. As imagens disponíveis foram gravadas pelo colega de equipe, o soldado Weden Silva Soares.
A policial teve a arma apreendida e é investigada em inquérito pelo DHPP e também em um Inquérito Policial Militar (IPM).
Em depoimento, ela afirmou que a equipe decidiu abordar um casal que discutia na rua. Segundo a versão apresentada, a vítima teria desferido um tapa em seu rosto, o que levou ao uso de força para conter a situação.
Quem é a vítima
Thawanna tinha 31 anos, era mãe de cinco filhos e estava acompanhada do marido, Luciano Gonçalves dos Santos, no momento da abordagem. Segundo familiares e testemunhas, ela não estava armada e não apresentava comportamento agressivo.
As imagens da câmera corporal mostram a sequência da abordagem e o momento após o disparo. Em um trecho, o policial que registrava a ação tenta acalmar a colega dizendo: “Relaxa, agora já foi”. Antes disso, ele questiona: “Você atirou nela?”, ao que a policial responde que havia sido agredida.
Especialistas em segurança pública apontam possíveis falhas na abordagem. Para o tenente-coronel da reserva Adilson Paes de Souza, houve abuso na condução da ocorrência desde o início. Já o ex-ouvidor das polícias de São Paulo, Cláudio Aparecido da Silva, avalia que a situação não pode ser caracterizada como uma abordagem padrão.
O caso também reacende o debate sobre o uso da força policial e a obrigatoriedade de câmeras corporais em operações. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que as circunstâncias da ocorrência estão sendo apuradas e que medidas administrativas e criminais serão adotadas conforme o resultado das investigações.
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