| Edvaldo Neto (Avante), prefeito de Cabedelo (PB) - Foto: Reprodução/Redes Sociais |
O prefeito de Cabedelo (PB), Edvaldo Neto (Avante), foi afastado do cargo nesta terça-feira (14), dois dias após ser eleito em eleição suplementar realizada no último domingo (12). A decisão ocorre no âmbito de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e possível ligação de agentes políticos com o Comando Vermelho.
De acordo com as investigações, o esquema teria envolvido um consórcio entre políticos, empresários e integrantes da facção criminosa, que teria movimentado cerca de R$ 270 milhões em contratos fraudulentos. Os contratos, principalmente de prestação de serviços e fornecimento de mão de obra, teriam sido direcionados a empresas ligadas ao grupo, permitindo o desvio de recursos e a infiltração na administração municipal.
A operação é realizada em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público da Paraíba e Controladoria-Geral da União, com cumprimento de mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares. Os investigados podem responder por crimes como fraude em licitação, desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa.
Além de Edvaldo Neto, o desembargador Ricardo Vital determinou o afastamento da secretária de Administração de Cabedelo, Josenilda Batista dos Santos, e de outros servidores considerados estratégicos, como forma de garantir a preservação do patrimônio público e a coleta de provas. Também foi proibido o acesso de alguns investigados às dependências da prefeitura.
Com o afastamento, quem assume a gestão municipal é o presidente da Câmara, José Pereira. Edvaldo Neto ocupava o cargo de forma interina desde 2025, após a cassação do então prefeito André Coutinho (Avante), também investigado por suspeitas de ligação com organização criminosa.
Em nota, a defesa de Edvaldo Neto afirmou que o afastamento é uma medida provisória e não representa juízo de culpa. O comunicado também nega qualquer vínculo do prefeito com facção criminosa, classificando a acusação como “inverídica e incompatível” com sua trajetória pública.