O visto de turista de Ramagem havia expirado em março - Foto: Reprodução
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi solto nos Estados Unidos após ter sido detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) na segunda-feira (13), na Flórida. A liberação ocorreu dois dias depois, e o nome dele já não consta na lista de custodiados do órgão.
O visto de turista de Ramagem havia expirado em março. Além disso, ele entrou nos EUA com o passaporte diplomático já cancelado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em setembro do ano passado, a Primeira Turma do STF condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Durante o governo Bolsonaro, Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), teria utilizado o órgão para monitorar opositores e disseminar críticas ao sistema eleitoral.
Até o momento, as autoridades norte-americanas não divulgaram oficialmente os motivos da soltura. A detenção havia sido atribuída, inicialmente, a irregularidades migratórias.
Considerado foragido da Justiça brasileira, Ramagem deixou o país antes da conclusão do julgamento e passou a viver nos Estados Unidos, onde também apresentou pedido de asilo político.
A prisão ocorreu em meio a um processo de cooperação internacional, já que o Brasil formalizou pedido de extradição às autoridades americanas.
Segundo aliados, ele foi liberado sem pagamento de fiança e não deve ser deportado neste momento, pois o pedido de asilo ainda está em análise. Caso seja aceito, poderá permanecer legalmente no país durante o andamento do processo.
Especialistas apontam que, em situações como essa, a análise do asilo pode suspender medidas imediatas de deportação. Ainda assim, o futuro do ex-deputado dependerá das decisões da Justiça e das autoridades migratórias dos Estados Unidos.