Advogado é preso suspeito de aplicar golpe de R$ 500 mil contra cliente em Natal

Advogado orientava a vítima a transferir valores para contas bancárias de titularidade dele e de sua esposa - Foto: Freepik

Um advogado foi preso, nesta quinta-feira (28), suspeito de cometer os crimes de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em Natal. A prisão aconteceu durante a operação “Patrocínio Infiel”, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Norte, que também cumpriu três mandados de busca e apreensão nos bairros Neópolis e Lagoa Nova, incluindo, um escritório de advocacia.

Segundo a Polícia Civil, a vítima contratou o advogado para entrar com uma ação revisional relacionada à compra de um imóvel comercial. No decorrer do processo, o advogado teria informado falsamente que o Poder Judiciário havia autorizado o pagamento das parcelas do financiamento por meio de depósitos judiciais vinculados ao processo.

Conforme apurado, o advogado orientava a vítima a transferir os valores das prestações mensais, superiores a R$ 11 mil, para contas bancárias de titularidade dele e de sua esposa, sob a justificativa de que os recursos seriam, posteriormente, repassados à conta judicial. Acreditando na versão apresentada, a vítima realizou diversas transferências entre os anos de 2021 e 2025, totalizando, um prejuízo estimado em aproximadamente R$ 500 mil.

Além disso, segundo a Polícia Civil, a vítima acreditava que os pagamentos estavam sendo utilizados para quitar o financiamento do imóvel comercial e, diante das cobranças realizadas pelo próprio advogado, chegou a vender o imóvel residencial para evitar atrasos nas parcelas.

A fraude foi descoberta no final de 2025, após o antigo proprietário do imóvel ajuizar uma ação de retomada da posse e da propriedade do prédio comercial, informando que a medida havia sido determinada em razão da ausência total de pagamentos do financiamento. Após tomar conhecimento da situação, a vítima tentou entrar em contato com o advogado suspeito, que inicialmente apresentou justificativas para os fatos e, posteriormente, deixou de responder às ligações e mensagens, motivando o registro da ocorrência junto à delegacia especializada.

Segundo a Polícia Civil, as diligências apontaram que, diferentemente do que era informado à vítima, não existia qualquer decisão judicial autorizando depósitos em conta vinculada ao processo, tampouco registros de pagamentos das parcelas no procedimento judicial. As informações foram confirmadas oficialmente pelo Poder Judiciário.

No decorrer das investigações, segundo a Polícia Civil, também foi constatado que parte dos valores transferidos pela vítima foi direcionada para contas bancárias em nome do advogado e de sua esposa. Além disso, para manter a vítima em erro, o suspeito teria produzido comprovantes de quitação ideologicamente falsos, mencionando inclusive o número do processo judicial relacionado ao financiamento.

As investigações também apontaram que, durante o período em que receberam os valores obtidos de forma ilícita, os investigados teriam convertido parte dos recursos em ativos aparentemente legais, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem do dinheiro.

Diante dos elementos reunidos durante a investigação, a Autoridade Policial representou pelas medidas cautelares cabíveis junto ao Poder Judiciário, que decretou a prisão preventiva do advogado, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão e da indisponibilidade de veículos e bens imóveis.

Segundo a Polícia Civil, em cumprimento aos mandados, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam as diligências realizadas durante a operação. O homem foi conduzido à delegacia para os proceidmentos legais e, em seguida, encminhado ao sistema prisional, onde permencerá à disposição da Justiça.

A operação foi denominada “Patrocínio Infiel” em referência ao crime previsto no artigo 355 do Código Penal, que tipifica a conduta do advogado que trai o dever profissional, prejudicando os interesses do cliente que confiou no patrocínio de sua causa.

A Polícia Civil solicita que informações que possam contribuir com as investigações sejam repassadas, de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 181.
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