Nova fase da Carbono Oculto aponta movimentação de R$ 4 bilhões ligada ao PCC

Foto: Divulgação/MPSP


O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram, nesta quinta-feira (28), uma nova fase da Operação Carbono Oculto para investigar um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis com suspeita de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital).

Batizada de “Fluxo Oculto”, a operação cumpriu cerca de 60 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Segundo as investigações, empresários, operadores logísticos e empresas de fachada continuaram atuando mesmo após operações anteriores. O grupo é suspeito de usar fintechs e contas bancárias compartilhadas para ocultar a origem do dinheiro e dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.

Em um dos casos identificados, operações de 56 postos de combustíveis eram concentradas em uma única conta bancária. De acordo com o MP, os investigados movimentaram quase R$ 4 bilhões por meio de instituições financeiras usadas como “dutos” para lavagem de dinheiro.

A investigação aponta que o PCC aparecia como beneficiário indireto do esquema, utilizando a mesma estrutura financeira para circulação e ocultação de recursos ilícitos. O Ministério Público afirma que havia uma “convergência criminal” entre os grupos envolvidos.

Os principais líderes apontados pela investigação são os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. Os dois estão foragidos desde agosto do ano passado e são acusados de comandar um esquema de adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Segundo o MP, eles tentaram fechar um acordo de delação premiada, mas a proposta foi rejeitada por omitir informações sobre lavagem de dinheiro, corrupção policial e conexões com o PCC.

Outro braço da operação investiga a chamada “máfia do nafta”. O grupo usava solventes petroquímicos com tributação menor para produzir gasolina adulterada vendida ilegalmente em postos de combustíveis.

As investigações apontam que mais de 135 milhões de litros de nafta foram desviados em pouco mais de dois anos. O prejuízo com a sonegação fiscal é estimado em mais de R$ 200 milhões.

O esquema também utilizava empresas de fachada registradas em nome de “laranjas” e fundos de investimento para ocultar patrimônio e dar aparência legal ao dinheiro obtido com as fraudes.

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